"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

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quinta-feira, 30 de julho de 2015

PELO FIM DO GENOCÍDIO DO POVO NEGRO! PELA RESPONSABILIZAÇÃO E PUNIÇÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS PELA CHACINA DO CABULA, SALVADOR/BAHIA

Imagem: Familiares das vítimas da chacina do Cabula - Salvador/Bahia
Foto/Fonte: Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto/BA

 PELO FIM DO GENOCÍDIO DO POVO NEGRO!
PELA RESPONSABILIZAÇÃO E PUNIÇÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS
PELA CHACINA DO CABULA, SALVADOR/BAHIA

 O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania vem a público manifestar o mais veemente repúdio à política de segregação e extermínio – típica dos campos de concentração - que assola Salvador/Bahia. Esta política tem se agravado sobretudo a partir da chacina do Cabula.  No dia 6 de fevereiro de 2015, 12 jovens negros – com idades entre 16 e 27 anos - foram mortos pela Polícia Militar baiana na Vila Moisés, Estrada das Barreiras, região do Cabula.  Todos apresentavam marcas de tortura, tiros nas mãos, cabeças, braços e costas – 5 tiros em cada corpo: evidências insofismáveis de execução.  No mesmo dia, mais 3  jovens negros foram assassinados pela PM no bairro Cosme de Farias, também em Salvador. 

Na última sexta-feira, 24 de julho de 2015, todos os 10 policiais que participaram da chacina – denunciados por homicídios triplamente qualificados - foram absolvidos em rito sumário pela juíza Marivalda Almeida Moutinho sob a alegação de legítima defesa. Mais uma vez, colocam-se como justificativas os nefastos autos de resistência, instrumentos sobejamente conhecidos como tentativa de legitimação/legalização de carnificinas perpetradas por agentes do Estado.   Tal sentença-relâmpago contempla os assassinos e, de novo, tenta criminalizar os jovens negros trucidados no massacre.

Esta política segregacionista é matéria de longa duração em todo o Brasil, mas tem componentes peculiares na Bahia. Em Salvador e no Brasil, as chacinas têm apresentado sistematicidade absolutamente avassaladora.  Se o Brasil é o país que mais mata negros no mundo (dados do Mapa da Violência, 2014), a Bahia é o segundo estado brasileiro com maior concentração de assassinatos de jovens entre 12 e 18 anos, negros em sua maioria. Se a polícia militar brasileira é racista e genocida, sendo considerada a mais violenta do mundo – aquela que mais mata entre todos os países – este processo de fascistização é levado às máximas consequências na Bahia: a polícia baiana é a que mais mata no Brasil. Aí, eugenia, higienismo e saneamento étnico constituem elementos essenciais da política de segurança pública, quadro que tem se consolidado nos mais de 8 anos (2006-2015) de gestão petista Jaques Wagner/Rui Costa.  Este último, em sua campanha para governador, defendeu abertamente pena de morte, prisão perpétua e redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.  Seu secretário de segurança pública, Maurício Barbosa, implementa a execução em massa do povo negro em nome da guerra contra as drogas.  Trata-se, na verdade, de reciclagem perversa da Doutrina de Segurança Nacional – herança sinistra da ditadura militar (1964-1985): os negros são as forças oponentes a serem contidas, os inimigos internos a serem eliminados.

A Rondesp (Rondas Especiais/BA) nada fica a dever ao BOPE/RJ ou à ROTA/SP, paradigmas da violência policial no Brasil. A Rondesp constitui força especial que tem como tarefa precípua o extermínio.  Seus princípios programáticos são o racismo, o neocolonialismo e a necropolítica, como aponta a Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto da Bahia.  Tais princípios estão ostensivamente explicitados nos nomes emblemáticos das operações da Rondesp: Saneamento 1 , Saneamento 2 e Operação Quilombo.

Assim, o processo de institucionalização da barbárie no Brasil é levado ao paroxismo na Bahia.  O país vive sob a égide de um Estado de exceção permanente, pessimamente chamado Estado democrático de direito. Seu nome verdadeiro é Estado penal. Seus instrumentos principais são: a guerra generalizada contra os pobres; a política de encarceramento em massa; o genocídio sistêmico do povo negro; a criminalização da luta dxs trabalhadorxs e do movimento popular; a violência sistemática contra as mulheres e a comunidade LGBT; o extermínio cotidiano dos povos originários e de milhões de moradores das periferias e favelas; a permanência da tortura, das execuções e do desaparecimento forçado como instituições sólidas em vigor no país. O mercado total engendrado pelo neoliberalismo – ou totalitarismo de mercado – aprofunda a prática do domínio total onde tudo é possível: radicaliza-se o terror como política de Estado.  Aprofundam-se também a militarização e a fascistização do Estado e de seus aparatos jurídico e repressivo, do aparato midiático, das instituições e da sociedade.  O povo negro e a classe trabalhadora constituem os alvos principais do terror de Estado. Lembremos que as mulheres negras são triplamente fustigadas: por causa do gênero, da classe e da etnia.

Uma das investidas mais trágicas deste Estado de exceção permanente completou no último domingo (26/07/2015) 25 anos - a chacina do Acari, Rio de Janeiro/RJ (26/07/1990): 11 jovens – 7 com menos de 16 anos – foram mortos e desaparecidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro.  Tal crime permanece sem solução – ninguém foi punido, nada foi esclarecido.  As Mães de Acari (aquelas que restaram) continuam sua jornada de luta contra a barbárie: três delas já morreram, todas são perseguidas pela repressão – pelo menos uma foi morta pelo aparato repressivo. Toda nossa solidariedade também a estas companheiras.
   
As companheiras e os companheiros da Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto da Bahia têm enfrentado esta situação de barbárie com a coerência, a combatividade, a radicalidade, a independência e a autonomia que lhes são peculiares.   Por isto mesmo, os membros da campanha – sobretudo o seu coordenador, o companheiro Hamilton Borges -, assim como os familiares dos mortos e os moradores da região do Cabula, têm sido perseguidos e ameaçados sistematicamente pela polícia baiana. Para nós, do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, a luta da Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto da Bahia constitui referência no combate ao genocídio do povo negro.  Reiteramos a nossa solidariedade incondicional aos integrantes da campanha, aos familiares dos mortos e aos moradores do Cabula.  Reafirmamos a nossa disposição de prosseguir juntxs no combate à política do campo de concentração vigente.

Compartilhamos também com a Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto da Bahia a demarcação com o governismo, o gabinetismo, o oportunismo e o peleguismo de certos movimentos, partidos e organizações políticas que se reivindicam de esquerda. Estes fazem acordo e criam comissões conjuntas com o aparato repressivo e com parlamentares de direita: trata-se de demonstração de boa vontade e bom-mocismo em relação ao Estado.  Para nós, as classes dominantes, o Estado e seu aparato repressivo não são dialogáveis: são inimigos a serem combatidos e não depositários de eventuais reivindicações.  Adotamos os mesmos princípios da Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto da Bahia: esta luta só pode ser travada com combatividade, radicalidade e absoluta independência em relação ao Estado, aos governos, às empresas, aos patrões e à institucionalidade.


     - Pelo fim do genocídio do povo negro! Pelo fim das torturas, execuções e desaparecimentos forçados! Pela responsabilização e punição de todos os responsáveis pela chacina do Cabula!



     - Toda solidariedade aos familiares das vítimas da chacina do Cabula! Toda solidariedade aos moradores do Cabula e às companheiras e companheiros da Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto! Pelo fim das perseguições!



     - Abaixo o racismo e a segregação! Abaixo a repressão!



     - Pelo fim de todo o aparato repressivo!  Pelo fim da polícia militar e de todas as polícias!



     - Nenhum tipo de interlocução com o aparato repressivo!



     - Abaixo o terror de Estado e do capital!



    - Pelos direitos humanos e pela luta independente em relação ao Estado, aos governos, aos patrões e à institucionalidade!


Belo Horizonte, 30 de julho de 2015
 INSTITUTO HELENA GRECO DE DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA 

Convidamos todas e todos que lutam contra a repressão e contra o genocídio do povo negro!

*Sexta-feira, 31/07/2015, às 18h30min.

sábado, 25 de julho de 2015

ENCONTRO DE LUTA CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO: SEXTA, DIA 31/07/2015, ÀS 18H30


ENCONTRO DE LUTA CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO
- Chacina do Cabula:
Policiais executaram jovens negros e feriram outros na região do Cabula, Salvador/Bahia.
Perseguições sistemáticas são feitas a familiares das vítimas, a moradores e a integrantes da Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto.
Toda nossa solidariedade às vítimas, aos familiares, aos moradores e aos integrantes da campanha!
- Painel seguido de roda de conversa:
Hamilton Borges - militante do Movimento de Maioria Negra e integrante da Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto - Salvador/BA
Convidamos todas e todos que lutam contra a repressão e contra o genocídio do povo negro!
*Sexta-feira, 31/07/2015, às 18h30min.
Local: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - Rua Hermilo Alves, n°290, Bairro Santa Tereza - Belo Horizonte/MG.
Organização/Parceria:
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania.
Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto - Salvador/BA

*Após a programação do Encontro de luta contra o genocídio do povo negro, haverá discotecagem ao som de Hip Hop/Rap. Participação do DJ LEGAL. Hip Hop de luta contra o genocídio do povo negro.

Evento em rede social:
https://www.facebook.com/events/395944583928159/
Leiam também - Caso Cabula e a Proeza da Guerra Midiática do Governo da Bahia Contra os Familiares de Mortos por Seus Agentes Fardados ou Como Fazer Mística e Sorrir com Seu Executor: Faça a luta, Fecha a Cara: https://daslutas.wordpress.com/2015/07/19/caso-cabula-e-a-proeza-da-guerra-midiatica-do-governo-da-bahia-contra-os-familiares-de-mortos-por-seus-agentes-fardados-ou-como-fazer-mistica-e-sorrir-com-seu-executor-ou-faca-a-luta-fecha-a-cara/

quinta-feira, 23 de julho de 2015

EXIBIÇÃO "MEMÓRIA ESSENCIAL" - 22/07/2015















Exibição "Memória Essencial"

Realizada, no dia 22/07/2015, a Exibição do documentário Memória Essencial. "Memória Essencial é um foto-documentário híbrido baseado em registros documentais e relatos de duas familiares mineiras de desaparecidos na Guerrilha do Araguaia".
Após a exibição do documentário foi realizada uma roda de conversa entre as convidadas e o público. Como convidadas participaram:
- Ceres Canedo e Luciene Araujo (diretoras do curta).
- Valéria Costa Couto (uma das entrevistadas no documentário, irmã de Walquíria Afonso Costa, guerrilheira desaparecida no Araguaia, em 1974).
- Eliana Maria Piló Alexandrino (irmã de Pedro Alexandrino de Oliveira Filho, guerrilheiro desaparecido no Araguaia, em 1974).
- Ângela Pezzuti (membro do Movimento Feminino pela Anistia - MFPA/MG, do Comitê Brasileiro de Anistia - CBA/MG durante as décadas de 1970 e 80; familiar de Carmela Pezzuti, Ângelo Pezzuti e Murilo Silva - presos políticos banidos do Brasil pela ditadura).
A atividade aconteceu no Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania e contou com a presença de estudantes, trabalhadores(as) da educação, militantes da luta antimanicomial, de organizações políticas e de vários movimentos sociais.
Agradecemos a participação e a presença de todas e todos.
Belo Horizonte, 23 de julho de 2015
Notícia/Fotos/Arquivo: 
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania.


domingo, 5 de julho de 2015

COMUNIDADE HELENA GRECO NO BAIRRO ZILAH SPÓSITO - OCUPAÇÃO DESDE 2011


Comunidade Helena Greco - Ocupação desde 2011
No sábado, dia 04/07/2015, fizemos uma nova visita a Comunidade Helena Greco, localizada no Bairro Zilah Spósito. A Ocupação existe e resiste desde 2011.
Estivemos presentes junto às moradoras e coordenadoras da ocupação.
Nós apoiamos de forma incondicional a Comunidade Helena Greco e as moradoras e moradores das ocupações da Izidora (Rosa Leão, Vitória e Esperança).
Todo apoio e solidariedade a Comunidade Helena Greco!
Comunidade Helena Greco é de luta!
Belo Horizonte, 05 de Julho de 2015
Notícia/ fotos/Arquivo: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania



sábado, 4 de julho de 2015

REPRESSÃO DA PM CONTRA MC DO MORRO DO PAPAGAIO


NOSSO REPÚDIO À REPRESSÃO DA PM CONTRA GAROTO (14 ANOS) 
MC DO MORRO DO PAPAGAIO (BELO HORIZONTE/MG)

            Na última 4ª feira (01/07/2015), a Polícia Militar de Minas Gerais/PMMG, mais uma vez, escancarou sua truculência ao apreender (leia-se prender) um adolescente de 14 anos morador do Morro do Papagaio.  O jovem é MC da região. 

Policiais do 22º Batalhão da PMMG empreenderam verdadeira caça ao garoto e o localizaram próximo à sua casa.  O motivo: críticas à atuação da PM, a qual tem longa história de violência e repressão naquele aglomerado.  O jovem fez apenas uma postagem em rede social. Ele – sem nenhuma passagem pela polícia - agora está sendo acusado de injúria.  Foi encaminhado para  Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA-BH).

Trata-se de mais uma ofensiva no reforço da criminalização da infância e da juventude neste país cuja Polícia Militar é considerada a mais violenta do mundo. Tal ofensiva coincide com a aprovação em primeiro turno na Câmara Federal da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, que, por sua vez, escancarou o processo de fascistização institucional que tem se aprofundado cada vez mais.

Repudiamos com veemência a apreensão do jovem morador do Morro do Papagaio e a violência da Polícia Militar. Não aceitamos definitivamente que se consolide a criminalização da nossa infância e juventude promovida por este Estado Penal que é a verdadeira face do mal chamado Estado democrático de direito. Este se materializa numa guerra generalizada contra os pobres, na política de encarceramento e no genocídio institucionalizado de jovens negras e negos, indígenas e pobres. As principais vítimas, portanto, são sempre os filhos da classe trabalhadora.

ABAIXO A REPRESSÃO!

ABAIXO A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PELA!

PELO FIM DA POLÍCIA MILITAR!

Belo Horizoznte, 3 de julho de 2015.

INSTITUTO HELENA GRECO DE DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA 
(IHG-BH/MG)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO "MEMÓRIA ESSENCIAL"


EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO "MEMÓRIA ESSENCIAL"

*Quarta-feira, dia 22 de julho de 2015, às 18h30
Local: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania
- Rua Hermilo Alves, nº 290, Bairro Santa Tereza - Belo Horizonte/MG

* Roda de conversa entre as convidadas e o público: 

- Ceres Canedo e Luciene Araujo (diretoras do curta).

- Valéria Costa Couto ( uma das entrevistadas no documentário, irmã de Walquíria Afonso Costa, guerrilheira desaparecida no Araguaia, em 1974).

- Eliana Maria Piló Alexandrino (irmã de Pedro Alexandrino de Oliveira Filho, guerrilheiro desaparecido no Araguaia, em 1974).

- Ângela Pezzuti (membro do Movimento Feminino pela Anistia - MFPA/MG, do Comitê Brasileiro de Anistia - CBA/MG durante as décadas de 1970 e 80; familiar de Carmela Pezzuti, Ângelo Pezzuti e Murilo Silva - presos políticos banidos do Brasil pela ditadura).

* Após a exibição e a roda de conversa, haverá projeção de vídeos com músicas (MPB e latino-americanas).

"Memória Essencial" (Brasil, 2011 - duração: 5 min.)
Direção: Ceres Canedo e Luciene Araujo.

Sinopse:

Memória Essencial é um foto-documentário híbrido baseado em registros documentais e relatos de duas familiares mineiras de desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. É também um ensaio que percorre a poética das imagens construídas pela memória daqueles que sofreram mais cruelmente as consequências da ditadura militar no Brasil (1964-1985). No curta, Maria de Fátima Marques e Valéria Costa Couto narram as trajetórias de seus irmãos e as dores provocadas pelo desaparecimento forçado de um familiar. Expõem a oscilação entre o querer lembrar e o querer esquecer esta história sem fim. Essa "morte incerta" do indivíduo ausente. Essa história silenciada. 

*Emitiremos certificado.

Evento em rede social:

domingo, 14 de junho de 2015

ÉTICA E DIREITO DE TODOS À VIDA


NOTÍCIA SOBRE O SEMINÁRIO ÉTICA E DIREITO DE TODOS À VIDA

Realizado, no dia 10 de junho de 2015, o Seminário Ética e direito de todos à vida - Exibição do documentário “À Queima Roupa”. O seminário foi organizado pela Disciplina Seminários de Bioética, do PPG em Ciências da Saúde: Infectologia e Medicina Tropical e do Mestrado em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina/UFMG. O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania foi convidado para compor parceria.

A abertura e coordenação desta atividade foi feita por Dirceu Greco (Prof. Titular, Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG). Após a abertura, foi exibido o documentário de 90 minutos.

Foram feitos painéis da diretora do filme Theresa Jessouroun, dos(as) comentaristas José Luiz Quadros de Magalhães (Prof. das Faculdades de Direito da UFMG e da PUC - MG), Heloisa Greco (Profª. de História, membro do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania) e Elza Machado de Melo (Profª. do Departamento de Medicina Preventiva e Social e Coordª do Mestrado em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG).

Após as falas foi aberta a palavra para o público que fez perguntas e comentários. Estiveram presentes trabalhadores(as) da educação, estudantes  da Faculdade de Medicina e de outros cursos, militantes de vários movimentos sociais, militantes contra a redução da maioridade penal e de direitos humanos. O seminário aconteceu no auditório principal da Faculdade de Medicina da UFMG. Houve entrega de certificado para todo público presente. No encerramento houve uma apresentação espontânea da cantora Rosa Helena que cantou música latino-americana.

Na manhã seguinte, dia 11 de junho 2015, o filme foi exibido novamente para estudantes de Pós-graduação da Faculdade de Medicina, em sala de aula. Após houve roda de conversa com a diretora do filme, Dirceu Greco, Elza Machado de Melo, Heloisa Greco e Itamar Sardinha (professor do Depto de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina/UFMG).

A importância do documentário está na escolha do objeto e do tratamento dado a ele: a denúncia da guerra generalizada contra os pobres como questão estrutural, como política de Estado. O filme mostra a maneira como as chacinas perpetradas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro estão institucionalizadas e são resultado de ação da cadeia de comando. Revela-se como estas chacinas assumiram periodicidade assustadoramente regular nos últimos 20 anos - a partir do massacre de Vigário Geral, em 1993.   É notável a intervenção das vítimas das chacinas institucionalizadas mostradas no filme.  Só elas podem ser os sujeitos da própria emancipação. A maioria das vítimas do aparato repressivo é composta por jovens negros(as) e pobres.  As comunidades atingidas se organizam através de associações e movimentos para combater a violência estatal à qual estão submetidas.

Trata-se de um documentário investigativo que constitui também contraponto ao aparato midiático burguês.  Esta mídia funciona como caixa de ressonância e amplificação da exploração, opressão e repressão do Estado capitalista e da propaganda de seu aparato repressivo. O eixo em torno do qual os debates dos dias 10 e 11/5 giraram foi a necessidade de amplificação da denúncia da violência policial institucionalizada. 

A partir destes debates ficou clara a nossa necessidade de insistir cada vez mais na demarcação com a posição de certos setores que se reivindicam de esquerda, de partidos, movimentos, ONGs e indivíduos que estabelecem empatia com delegados, coronéis e outras ‘autoridades’ que têm um discurso aparentemente mais palatável, mas que estão no topo da cadeia de comando do aparato repressivo e do Estado.  Estes setores dão voz para agentes do aparato policial e militar, os levam para o movimento popular, dão visibilidade, conciliam.  Os nossos parceiros são as vítimas do terror do Estado e do capital: é junto com eles que lutamos ombro a ombro – e não com os de cima.  A militarização assumiu um papel forte em nosso cotidiano.  Assim, diversas atividades que em primeiro plano eram colocadas como de resistência ao aparato repressivo, agregam agentes da repressão que dizem divergir, numa perspectiva "micropolítica", das instituições das quais fazem parte, como se a própria repressão se tornasse o herói. Uma vez que dar voz a esses agentes é dar voz à instituição à qual pertencem, não se toca realmente na questão do aparato repressivo e na questão da hegemonia capitalista – ambas estruturais. Na lógica da militarização do cotidiano, isso acaba por minar a luta que deve vir justamente dos reprimidos.

Consideramos que nossa empatia deve ser estabelecida exclusivamente com as vítimas deste terror de Estado e do capital - as classes torturáveis de sempre.  Não se pode perder de vista que a Polícia Militar do Brasil é a mais violenta do mundo, é aquela que mais mata entre as polícias de todos os países do planeta, como o próprio documentário explicita com evidências empíricas incontrastáveis. Reiteramos que a nossa luta é pelo desmantelamento de todo aparato repressivo, o que inclui o fim – e não apenas a desmilitarização - da Polícia Militar. 

Agradecemos a participação e a presença de todas e todos.

- Pelo fim do genocídio de jovens, negrxs, indígenas, trabalhadorxs, pessoas em situação de rua, moradorxs de ocupações, periferias, morros, vilas e favelas.

- Abaixo a criminalização dos pobres e dos movimentos sociais!

Belo Horizonte, dia 14 de junho de 2015
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania 
(IHG-BH/MG)



Fotos/Arquivo: IHG de Direitos Humanos e Cidadania

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Seminário ética e direito de todos à vida - Exibição do documentário “À Queima Roupa” de Theresa Jessouroun

SEMINÁRIO ÉTICA E DIREITO DE TODOS À VIDA
- Exibição do documentário “À Queima Roupa” (Brasil, 2014). Duração: 90 min.

Quarta-feira, dia 10/06/2015, às 18h30 
Local: Salão Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG
- Av. Professor Alfredo Balena, 190 - Santa Efigênia - Belo Horizonte/MG.

Entrada franca 

* Coordenação:

- Dirceu Greco (Prof. Titular, Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG).

* Comentários iniciais:

- Elza Machado de Melo (Profª. do Departamento de Medicina Preventiva e Social e Coordª do Mestrado em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG).

- Heloisa Greco (Profª. de História, membro do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania).

- José Luiz Quadros de Magalhães (Prof. das Faculdades de Direito da UFMG e da PUC - MG).

* Debate com a diretora do filme, Theresa Jessouroun e dos comentaristas com o público.

* Entrega de certificado. Sem necessidade de inscrição prévia e aberto a toda população.

Realização: 
Disciplina Seminários de Bioética, do PPG em Ciências da Saúde: 
Infectologia e Medicina Tropical e do Mestrado em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina/UFMG.

Parceria:
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG-BH/MG).

"O filme parte da Chacina de Vigário Geral de 1993, culminando com execuções cometidas em nome da lei, em 2012 e 2013".
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"Ética e direito a vida será tema de seminário em junho" - matéria publicada no dia 12/05/2015 no site da Faculdade de Medicina/UFMG:


"Repressão e penalidade: riscos de perda de direitos" - matéria publicada no dia 25/05/2015 no site da Faculdade de Medicina/UFMG:

"Documentário sobre violência e corrupção policial norteia seminário de ética" - matéria com a diretora Theresa Jessouroun publicada no dia 01/06/2015 no site da Faculdade de Medicina/UFMG: http://site.medicina.ufmg.br/inicial/documentario-sobre-violencia-e-corrupcao-policial-norteia-seminario-de-etica/

Evento em rede social:

Divulgação do seminário na página da Faculdade de Medicina da UFMG:

Página À Queima Roupa Filme:

À queima roupa - Trailer: