"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

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segunda-feira, 30 de março de 2015

NOTA EM REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES REACIONÁRIAS, RACISTAS E INTERVENCIONISTAS DO JORNAL ESTADO DE MINAS SOBRE O D.A. FAFICH/UFMG




NOTA EM REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES REACIONÁRIAS, RACISTAS E INTERVENCIONISTAS DO JORNAL ESTADO DE MINAS SOBRE O D.A. FAFICH/UFMG
O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania vem a público repudiar com veemência o jornal Estado de Minas o qual, em matéria do dia 27/03/2015 cujo objeto é o espaço do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, reiterou todo o reacionarismo e racismo contidos na sua linha editorial ao explicitar:
- a concepção de extrema direita compreendida no saudosismo em relação à ditadura militar banalizando e elogiando os tempos terríveis dos anos 1974-1985 – ordeiros, segundo os jornalistas (?) que assinam a matéria - como se não houvera a mais feroz repressão a estudantes, funcionárixs e professorxs da FAFICH, que estava sob intervenção.  A FAFICH era, então, um dos principais redutos do movimento estudantil de oposição à ditadura na UFMG;
- a concepção policialesca, racista, higienista e segregacionista da tentativa de consolidar a criminalização e estigmatizacão da juventude jovem e negra que frequenta os espaços da faculdade;
- a concepção preconceituosa, elitista e credencialista da tentativa de interdição daquele espaço a não estudantes – bem nos moldes da ditadura militar - passando por cima de que se trata de uma universidade pública que, por definição, deveria estar aberta a todas e todos, sobretudo às comunidades do entorno do campus;
- a concepção reacionária de histeria em relação às drogas, quando a discussão pela sua descriminalização e legalização é pautada em todo o planeta.
            O que é mais grave é a coincidência das posições deste arauto da mídia burguesa com a posição da burocracia universitária, que reza pela mesma cartilha. O racismo, o machismo e a LGBTfobia são estruturais na instituição. Os membros das comunidades indígenas são igualmente discriminados.   O campus da UFMG está cada vez mais militarizado, o que fica evidente no aumento exponencial de câmeras e todos os tipos de catracas e obstáculos; na precarização do espaço físico e dos serviços; e, sobretudo na ação do aparato repressivo contra estudantes, professorxs e funcionárixs. Há um convênio firmado entre a Polícia Militar e a reitoria. Esta formalizou, agora, sua intenção de intensificar vigilância e segurança – leia-se, mais repressão. Nas jornadas de junho/2013, o campus serviu de base para a Polícia Militar, as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança Pública que o invadiram – com a anuência da reitoria - para atacar e caçar estudantes e manifestantes.  A Segurança Universitária trata estudantes como inimigos, como ficou claro na repressão àquelxs que ocuparam a reitoria em 2014, que foram violentamente espancadxs.  Também em 2014, a PM invadiu o CAFCA e achacou estudantes. Lembramos ainda que, há sete anos (abril/2008), no IGC, uma sessão comentada de cinema – um documentário, vendido em bancas de revistas, sobre a descriminalização da maconha - foi interrompida a golpes de cassetete e bombas de gás lacrimogêneo pela Polícia Militar. Esta foi convocada e autorizada a agir pela reitoria.  Professorxs e estudantes foram atingidxs por cerca de cinquenta PMs em viaturas e helicópteros. Este tipo de repressão, portanto, é tradição na UFMG.
            Na manhã desta segunda-feira, (30/03/2015), a Congregação da FAFICH determinou o fechamento do D.A. por seis meses para revitalização, além da proibição de festas.  Sabemos que revitalização significa higienização/segregação.  Continua na FAFICH o projeto de destruição continuada do espaço político dxs estudantes e da comunidade.  
            Sabemos que a maneira de combater este cenário de violência institucional, midiática e policial é a auto-organização ampla e aberta de estudantes e funcionários, em conjunto com as lutas dxs trabalhadorxs, do movimento popular e das comunidades de periferia.  Reafirmamos nossa solidariedade com xs estudantes e com todas e todos que têm sido atingidxs neste processo.  Reafirmamos também a importância do resgate das luta contra a ditadura militar: não percamos de vista que o D.A. FAFICH/UFMG leva o nome de Idalísio Soares Aranha Filho, nosso companheiro Aparício, assassinado e desaparecido pela ditadura na Guerrilha do Araguaia.   

         - Abaixo o jornal Estado de Minas e a mídia burguesa!

         - Abaixo os desmandos da reitoria e da burocracia universitária!

         - Pelo desmantelamento do aparato repressivo! Pelo fim da Polícia Militar!                              

         - Pelo fim da criminalização de negras e negros, indígenas e pobres!

         - Pelo fim do racismo, do machismo e da LGBTfobia!

        - Por uma universidade pública, de qualidade, 
        aberta aos trabalhadorxs e às comunidades!

         - Pela luta independente realizada por estudantes, 
         trabalhadorxs e pelo movimento popular em relação 
         ao Estado, aos governos, às empresas e à institucionalidade!

Belo Horizonte, 30 de março de 2015
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG-BH/MG)