"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

R. Hermilo Alves, 290, Santa Tereza, CEP: 31010-070 - Belo Horizonte/MG (Ônibus: 9103, 9210 - Metrô: Estação Sta. Efigênia). Contato: institutohelenagreco@gmail.com

Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.

domingo, 29 de março de 2026

38ª MEDALHA CHICO MENDES DE RESISTÊNCIA 2026

*Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro convida para 38ª Medalha Chico Mendes de Resistência*

*Homenagens*

*Aldir Blanc* (in memoriam)

*Astrojildo Pereira* (in memoriam);

*Eufrásia Souza*;

*Francisco Manoel Chaves* (in memoriam);

*Iara Iavelberg* (in memoriam);

*João Bosco*;

*Madres de Plaza Mayo Línea fundadora*;

*Quilombo da Marambaia*;

*Solange de Oliveira Antonio* – Movimento Mães em Luto da Zona Leste (SP)

*Tauã Brito da Cruz*.

Dia 30/03/26

Hora: 17h30

Local: ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ).

*Entidades promotoras*

Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES

Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio Janeiro – ASDUERJ

Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense - ADUFF

Associação dos Docentes da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Adunirio

Associação Brasileira de Imprensa – ABI

Partido Comunista Brasileiro – PCB

Associação José Martí

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG

Movimento de Justiça e Direitos Humanos – MJDH-RS

Sindicato dos Psicólogos do Estado do Rio de Janeiro - SINDPSI-RJ

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO

Centro de Defesa dos Direitos Humanos Petrópolis – CDDH

Comitê Chico Mendes

Justiça Global

Rede de Familiares e Comunidades contra a Violência

Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro – CRP-RJ

Pela vida, pela paz, tortura nunca mais!

@gtnm.rj

sábado, 28 de março de 2026

☆ EDSON LUÍS LIMA SOUTO: PRESENTE! (24/02/1950, Belém - 28/03/1968, Rio de Janeiro)

Neste 28 de março completam-se 58 anos do assassinato do estudante secundarista Edson Luís Lima Souto no restaurante Calabouço no Rio de Janeiro.

Nascido em Belém (Pará), Edson Luís Lima Souto mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro para buscar melhores condições e continuar os estudos.  No Rio de Janeiro chegou a ficar em situação de rua por alguns dias. Trabalhou como faxineiro e se matriculou no Instituto Cooperativo de Ensino, onde funcionava o restaurante Calabouço.

Edson Luís Lima Souto além de trabalhar e estudar, foi militante no movimento estudantil e bem ativo nas assembleias. Participou das lutas por melhorias da escola, do restaurante Calabouço e nas confecções de jornais e murais.

Foi executado com um tiro no peito por agentes da ditadura, aos 17 anos de idade, em manifestação no Calabouço. Foi morto ocupando o restaurante por melhores condições de higiene, qualidade na alimentação e acesso a todos estudantes.

Os estudantes não permitiram que o corpo fosse levado ao IML e o conduziram para a Santa Casa de Misericórdia. Depois o levaram para a ALERJ onde foi velado. Do lado de fora do velório várias pessoas foram atacadas por agentes da repressão. No dia 29 de março, milhares de pessoas acompanharam o funeral.

COMPANHEIRO EDSON LUÍS LIMA SOUTO: PRESENTE, HOJE E SEMPRE!

DITADURA NUNCA MAIS!

Belo Horizonte, 28 de março de 2026 – Dia do estudante combativo!

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG



quarta-feira, 25 de março de 2026

24 DE MARÇO/2026 - MARCHA PELO DIA DA MEMÓRIA EM REPÚDIO AOS 50 ANOS DO GOLPE MILITAR NA ARGENTINA

Milhões de pessoas ocuparam as ruas em toda a Argentina para homenagear os 30 mil mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar (1976-1983). Aos 50 anos do golpe de 24 de março de 1976, foi radicalizada a luta pela responsabilização dos torturadores e assassinos de opositores da ditadura sangrenta, pela busca de seus restos mortais e pelo resgate das crianças sequestradas.

As Mães da Praça de Maio, familiares das vítimas, sobreviventes da ditadura, organismos de Direitos Humanos, movimentos sociais, movimentos feministas, trabalhadoras/es e esquerdas reafirmaram a atualidade da luta por Memória, Verdade e Justiça.

O negacionismo do governo fascista Milei e da direita argentina foram repudiados. Eles afirmam que o “verdadeiro” número de mortos e desaparecidos estaria próximo dos 10 mil. Negam a história a partir de lógica perversa: a ideia de que a escala do crime atenua sua gravidade.

Foi denunciado o aumento exponencial da letalidade policial e da repressão aos Mapuches e aos movimentos sociais. A subordinação de Milei ao imperialismo estadunidense e ao genocida Donald Trump foi repudiada. Foi prestada solidariedade à resistência do Povo Palestino. Foi repudiado o genocídio na Faixa de Gaza, perpetrado pelo nazissionismo de Israel e aliados – sobretudo os Estados Unidos.

SON 30.000; FUE Y ES GENOCIDIO!

* Apertura de los archivos de 1974 a 1983!

* Juicio y castigo a  los genocidas!

* Restitución de la identidad a les niñes apropiades!

* Abajo o governo Milei, los gobernadores y el FMI!

* No a la reforma laboral esclavista!

* Abajo las leyes repressivas!  Castigo a los responsables de todos los heridos por las represiones de Patricia Bullrich y Monte Oliva!

* Desprocesamiento de todos los luchadores!

* No a la baja de edad de punibilidade!

* Abajo la criminalización de la protesta social!

* No al genocidio en Gaza! Viva Palestina Libre!





Mar del Plata/Argentina, 25/03/2026

Fotos/notícia: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG

terça-feira, 17 de março de 2026

"REFLEXÕES SOBRE A LUTA PELOS DIREITOS HUMANOS NA PERSPECTIVA CONTRA-HEGEMÔNICA"


AULA INAUGURAL 

>>>17/03/2026 (terça-feira), às 19h

📍 Auditório Térreo da FaE/UEMG
- Avenida Prudente de Morais, 444, Cidade Jardim - BH/MG

*Aberto ao público externo.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

ABAIXO O TERRORISMO ESTADUNIDENSE NA VENEZUELA!

No dia 03/01/26, os EUA bombardearam a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Estes encontram-se agora presos em Nova York onde serão julgados de forma espúria por um tribunal federal pela falaciosa acusação de “narcoterrorismo”.

As recentes agressões de Trump contra a Venezuela começaram em setembro/25, com a militarização do mar do Caribe: navios petroleiros pirateados, 23 embarcações destruídas - mais de 100 pessoas mortas.

É esta a ‘Nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA’, de 05/12/2025 - repaginação da Doutrina Monroe (1823): ‘’A América para os americanos’’. A este arcabouço estratégico do imperialismo estadunidense foi agregado o ‘Corolário Trump’, a anexação da América Latina e do Caribe à sua esfera exclusiva de influência. A Venezuela é o primeiro alvo por ter a maior reserva de petróleo do mundo. Também pela sua importância estratégica no continente.

Os EUA são o maior Estado terrorista do planeta. São responsáveis pelo genocídio em curso do Povo Palestino – junto com o Estado nazissionista de Israel. O imperialismo estadunidense atuou diretamente em todas as ditaduras sangrentas que se instalaram no cone sul da América Latina a partir da década de 1950. Participou da Operação Condor, a internacional do terrorismo articulada por estas ditaduras na década de 1970. Criou a Escola das Américas, em 1946, para ensinar tecnologias de repressão e tortura para as forças armadas e policiais do continente.

A novidade infame é a invasão militar à Venezuela, com o sequestro de um presidente e sua esposa. Mais uma vez, assistimos à narrativa calhorda da imprensa corporativa, à inoperância da ONU e da maioria dos estados nacionais do ocidente – inclusive do Brasil.

Nosso total repúdio a este ataque terrorista e nossa solidariedade incondicional ao povo venezuelano. Esta é uma luta internacionalista, anti-imperialista e anticapitalista. É a mobilização da classe trabalhadora e dos movimentos sociais que poderá dar um basta às investidas da necropolítica estadunidense.

Belo Horizonte, 5 de janeiro de 2026

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS 2025

A Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU é de 1948. Depois vieram mais pactos e convenções - pressão da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Em 77 anos, contudo, as violações dos Direitos Humanos foram gigantescas.

Dois eventos de 1948 mostram a ineficácia da Declaração: o apartheid sul africano (1948-1994) e a criação pela ONU do Estado colonial nazissionista de Israel. Há 77 anos começou o genocídio continuado do Povo Palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O imobilismo da ONU e o imperialismo (EUA e Europa) respaldam estes dois eventos.

O Brasil é campeão mundial em violações dos Direitos Humanos. Tem a maior desigualdade social do mundo. Tem a terceira maior população carcerária. Tem mais casos de trabalho escravizado. É campeão em violência de gênero, feminicídios, estupros, gravidez de crianças e adolescentes, transfeminicídios e violência contra LGBTQIAPN+.

A tortura e o desaparecimento forçado são institucionais - legados da ditadura militar (1964-1985). A polícia é a mais letal do planeta. As chacinas são política de Estado. Daí a normalização de mais de 130 execuções em 24 horas (Complexos da Penha e do Alemão, Rio de Janeiro, 28/10). Há racismo e genocídio institucional do Povo Negro e dos Povos Indígenas. Nada de reparação pelos 350 anos de escravização, 525 anos de opressão e 21 anos de ditadura militar.

A luta pelos Direitos Humanos é antifascista, antirracista, anticolonial, feminista, anticapitalista. É luta contra o terrorismo de Estado - a necropolítica é a essência do capitalismo.

Saudamos os mais de oito meses do Memorial dos Direitos Humanos (antigo DOPS/MG e DOI-CODI) ocupado pelos movimentos sociais - lugar de luta permanente por memória, verdade e justiça. Total repúdio ao governo fascista Zema/Simões que criminaliza a ocupação, quer fazer despejo violento e fechar o Memorial para sempre.

No capitalismo não há direitos humanos.

Pelo fim do genocídio do povo palestino, do povo negro e dos povos indígenas!

Pelo fim da violência policial!

Por memória, verdade e justiça!

BH, 10/12/25

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania:

22 anos de luta!


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

★ ENCONTRO ANUAL DE ESTUDOS DE DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA - 10ª Edição

DATA: Sábado, 06 de dezembro de 2025

HORÁRIO: de 10:00 às 12:00 horas

📍LOCAL/ENDEREÇO: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – Rua Hermilo Alves, 290, Santa Tereza - Belo Horizonte/MG

 LEITURA PARA DEBATE:

REIS, Diego dos Santos; STANCHI, Malu. As chacinas como tecnologia de governo no Brasil. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, Pré-publicação, p. 1-20, 2025.

Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/insurgencia/article/view/49524/43039

 

- Solicitamos a todes, todas e todos que venham com o texto lido em mãos.

- O link com o texto está disponível no story do instagram, no Facebook e em nosso blog. Pode também ser solicitado por mensagem.

- O horário do encontro é de 10:00 às 12:00 horas. Cheguem no horário - aguardaremos a chegada dos participantes até às 10h15. O encontro poderá se estender após as 12h.

- Serão emitidos certificados para participantes, que devem ser solicitados com antecedência.

 INFORMAÇÕES:

@institutohelenagreco

https://www.facebook.com/institutohelenagreco/

institutohelenagreco.blogspot.com/

*10 DE DEZEMBRO: DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS.

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania: 22 anos de luta contra o terrorismo de Estado e do capital.


★ 13ª VELADA LIBERTÁRIA - rango vegano, feirinha underground e bandas

🗓️ SÁBADO, DIA 29/11/2025 - DE 15:00 ÀS 22H

📍 LOCAL: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - Rua Hermilo Alves, 290, Santa Tereza - Belo Horizonte/MG

• ENTRADA SOLIDÁRIA: item de material de limpeza para o espaço.

PROGRAMAÇÃO:

15H - ABERTURA DO ESPAÇO:

• RANGO VEGANO - feijoada veg, seitan, harumaki, refresco de banchá etc

• FEIRINHA UNDERGROUND - discos, camisetas, livros, zines, artes gráficas, artesanato, acessórios, materiais das bandas, editoras, selos, distros e movimentos sociais

16H30 - APRESENTAÇÃO DAS BANDAS:

• INFECÇÃO AGUDA (@infeccao_aguda) - Hardcore D-beat - Manaus/Amazonas

• DESESPERO - Crust/Hardcore punk - Ribeirão das Neves/MG

DESISTÊNCIA ZERO (@desistenciazero.bhhc) - Hardcore - BH/MG

• VIOLENCITY (@violencity_speed_thrashmetal) - Speed Thrash Metal - BH/MG

BASTARDOS HXCX (@bastardoshxcx) - Hardcore - BH/MG

REALIZAÇÃO:

@institutohelenagreco 

@kasa.soul 

@nofuture.distro 

@metalpunkoverkill 

@casadeangolabh

PRESERVE O ESPAÇO: CUIDE DE TUDO E DE TODES AO SEU REDOR!

*Nazi/fascistas, ancaps: NÃO PASSARÃO!

Sem lugar para racismo, machismo e lgbtqiapn+fobia!

VELADA LIBERTÁRIA – INSTITUTO HELENA GRECO: 

Desde 2009 é realizada anualmente de forma autogestionária e independente com relação ao Estado, aos governos, às empresas e à institucionalidade. Encontro de som underground e das lutas sociais – plural e diverso - de unidade Antifascista e Anticapitalista.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

CHEGA DE CHACINA! PELO FIM DA POLÍCIA ASSASSINA! MAIS DE 130 EXECUTADOS PELO GOVERNO GENOCIDA DE CLÁUDIO CASTRO

O governador fascista e genocida Cláudio Castro (PL) perpetrou a mais letal chacina da história do Rio de Janeiro na maior operação montada para este fim. Foram executados mais de 130 moradores do Complexo da Penha (28/10).

Os Complexos da Penha e do Alemão foram atacados por 2500 policiais militares e civis com todo o seu aparato bélico. O estado nazissionista de Israel é o principal fornecedor das armas utilizadas. É beneficiário do escabroso orçamento da segurança pública do Rio de Janeiro – 19 bilhões anuais.

Dezenas de corpos ficaram estendidos numa praça da comunidade. Foram resgatados na mata por familiares e amigos. Por isto estes foram ameaçados com processo criminal pelo também genocida Felipe Curi, secretário estadual de polícia civil. Os mortos foram considerados bandidos, antes de qualquer identificação. São os inimigos internos a serem eliminados – repaginação da Doutrina de Segurança Nacional, herança da ditadura militar.  

O horror é normalizado em nome da guerra às drogas. O governo federal compactua em nome do combate ao crime organizado: declarou apoio de primeira hora ao governador genocida, se apressou em promulgar uma lei de proteção aos policiais. Não houve gesto de solidariedade às vítimas da chacina e a seus familiares. A imprensa corporativa reproduz a narrativa do poder hegemônico e de seu aparato repressivo.

Cláudio Castro é entusiasta de matanças generalizadas. Para ele esta operação sangrenta é um sucesso. É responsável pelas chacinas de 890 pessoas desde o início de seu governo (2021) – pretas, pobres e faveladas. Repudiamos este governo fascista e genocida. Manifestamos solidariedade incondicional aos familiares e amigos das vítimas. Apoiamos fortemente a resistência das comunidades atingidas, em permanente mobilização contra o terrorismo de Estado.

ABAIXO A NECROPOLÍTICA DE CLÁUDIO CASTRO!

PELO FIM DAS OPERAÇÕES POLICIAIS NAS COMUNIDADES!

PELO FIM DO GENOCÍDIO DO POVO NEGRO!

PELO DESMANTELAMENTO DO APARATO REPRESSIVO!

Belo Horizonte, 31 de outubro de 2025

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG



quarta-feira, 27 de agosto de 2025

46 ANOS DA LEI DE ANISTIA PARCIAL: ONDE ESTÃO OS DESAPARECIDOS?

Forte pressão popular pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita obrigou a ditadura militar (1964-1985) a pautar a questão. Foi imposta, então, uma lei de anistia parcial e restrita – a lei 6683, de 28 de agosto de 1979. Com ela a ditadura garantiu sua autoanistia. Os opositores do regime não foram todos anistiados. Houve anistia total e automática só para os agentes do Estado que sequestraram, prenderam, torturaram, estupraram, assassinaram, esquartejaram e desapareceram corpos. Tornaram-se inimputáveis policiais e militares que perpetraram crimes contra a humanidade, assim como empresas, patrões e latifundiários cúmplices destes crimes.

A autoanistia da ditadura foi rejeitada pelo movimento pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita. Este teve como protagonistas os familiares de mortos e desaparecidos políticos, o Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), os Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs), os presos políticos, os exilados e banidos. Teve caráter de massa: houve grande mobilização da classe trabalhadora, do movimento negro, do movimento estudantil, de religiosos progressistas e demais movimentos populares.

Tivemos avanços ao longo destes 40 anos (1985-2025) de transição política pactuada e sem ruptura. Avanços, contudo, pontuais - alguns mais, outros menos significativos. Todos são resultados de muita luta. Exatamente neste 28 de agosto, em Belo Horizonte, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos faz a entrega das certidões de óbito retificadas a familiares de mortos e desaparecidos. Nelas o Estado assume a responsabilidade pelas mortes e desaparecimentos - algo relevante, embora simbólico e tardio. Trata-se de árdua conquista da luta quinquagenária e transgeracional dos familiares, referência de combatividade e tenacidade para todos nós.

As questões cruciais do legado da ditadura ainda incrustado no Estado, no entanto, não foram sequer tangenciadas. Hoje constituem a essência da luta pelos Direitos Humanos e por Memória, Verdade e Justiça, a qual continua a rejeitar a anistia parcial imposta pela ditadura. Continua também a reafirmar os princípios da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, os quais continuam valendo: a abertura irrestrita dos arquivos da ditadura; a resolução da questão dos mortos e desaparecidos; o desmantelamento do aparato repressivo. E ainda: a responsabilização de agentes da repressão, empresários e latifundiários que participaram da ditadura. O Estado brasileiro não cumpriu sequer a sentença do processo de desaparecimento forçado dos guerrilheiros do Araguaia, transitado em julgado em 2003. Tampouco acatou a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o Brasil por este crime em 2010.

É preciso também completar a lista de mortos e desaparecidos acrescentando os nomes dos milhares de indígenas, quilombolas, trabalhadores do campo e vítimas da violência policial – sobretudo negros, periféricos e pobres. A tortura, o extermínio e o desaparecimento forçado continuam sistêmicos. O Brasil tem a polícia mais letal do mundo. Pratica a guerra generalizada contra os pobres e o encarceramento em massa. É o país das chacinas periódicas e do genocídio institucional do Povo Negro e dos Povos Indígenas. A chacina dos trabalhadores sem terra de Corumbiara completou 30 anos neste mês de agosto, sem qualquer solução. O país é campeão mundial em transfeminicídio e em violência de gênero.

Assim, não estamos aqui a comemorar a lei de anistia parcial e restrita. Estamos a resgatar a luta pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita e a luta permanente contra o terrorismo de Estado. Estamos também a comemorar a novidade alvissareira dos quase cinco meses do Memorial dos Direitos Humanos (antiga sede do DOPS/MG e do DOI-CODI) ocupado pelos movimentos sociais desde 1º de abril – dia de repúdio aos 61 anos do golpe militar. Este Memorial está sendo construído na prática como lugar de memória, de resistência e de consciência. É território de denúncia permanente dos crimes da ditadura e do terrorismo de Estado – um Memorial contra o esquecimento.

Todas estas lutas são estruturais. Elas compõem o tributo que devemos às companheiras e companheiros que tombaram na luta contra a ditadura. Elas e eles estão presentes hoje e sempre! Toda nossa solidariedade às vítimas do terrorismo de Estado e do capital!

PELO DIREITO À MEMÓRIA, À VERDADE E À JUSTIÇA!

Belo Horizonte, 28 de agosto de 2025

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG