"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

47 ANOS DA LEI DE ANISTIA PARCIAL

Em meados da década de 1970 foi construído o movimento pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita. Seus protagonistas foram os familiares de mortos e desaparecidos políticos, o Movimento Feminino pela Anistia (MFPA, 1975), os Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs, 1978), presos políticos, exilados e banidos. As mulheres tiveram papel de destaque nesta luta. Houve grande mobilização da classe trabalhadora, do movimento negro, do movimento estudantil, da imprensa alternativa e demais movimentos populares.

Eram seus princípios programáticos: a libertação dos presos políticos; a volta dos exilados, banidos e clandestinos; a resolução da questão dos mortos e desaparecidos; a abertura dos arquivos da repressão; o fim da legislação de exceção. E ainda: o desmantelamento do aparato repressivo; a responsabilização dos militares, policiais, empresários, latifundiários que participaram da ditadura. Esta constituía o inimigo a ser combatido e derrubado, não um eventual interlocutor para reivindicações pontuais.

A forte pressão popular obrigou a ditadura a pautar a questão. Foi imposta uma lei de anistia restrita e parcial – a lei 6683, de 28 de agosto de 1979. Com ela a ditadura garantiu anistia total e automática para os agentes do Estado que cometeram crimes contra a humanidade. Ou seja: perseguiram, prenderam, torturaram, estupraram, assassinaram, esquartejaram e desapareceram corpos. Não houve anistia total e automática para os opositores do regime. 

A auto-anistia da ditadura foi repudiada pelo movimento pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita. Os princípios programáticos desta luta hoje constituem a essência da luta pelos Direitos Humanos e por Memória, Verdade e Justiça. Tivemos avanços pontuais ao longo destes 41 anos (1985-2026) de transição política pactuada e sem ruptura. Alguns mais, outros menos significativos. Todos são resultado de muita luta. O legado da ditadura continua incrustrado no aparelho de Estado. Torturas e desaparecimentos forçados são sistêmicos neste país, um dos campeões mundiais em violações dos direitos humanos.

Estamos aqui para reiterar o repúdio à auto-anistia da ditadura e para  resgatar a autêntica luta pela anistia no Brasil. Trata-se de luta estrutural e permanente contra o terrorismo de Estado. Só assim faremos jus à memória das companheiras e companheiros que tombaram na luta contra a ditadura.  Elas e eles estão presentes na luta hoje e sempre!

MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!

Belo Horizonte, 28 de agosto de 2026

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG



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