"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

R. Hermilo Alves, 290, Santa Tereza, CEP: 31010-070 - Belo Horizonte/MG (Ônibus: 9103, 9210 - Metrô: Estação Sta. Efigênia). Contato: institutohelenagreco@gmail.com

Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.

segunda-feira, 8 de março de 2021

8 DE MARÇO DE 2021 - DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES - LUTA FEMINISTA, ANTIPATRIARCAL, ANTIRRACISTA, ANTIFASCISTA E ANTICAPITALISTA!

        O Brasil adentrou o ano de 2021 como epicentro da pandemia de COVID-19: é o país mais mortífero do planeta, o que tem o maior número de casos para cada 100 mil habitantes, o segundo maior número absoluto de contaminadas/os e de óbitos e o que atingiu a maior velocidade de contágio. É este o saldo da estratégia de extermínio do governo Bolsonaro/general Mourão e seu hipermilitarizado Ministério da Saúde do general Pazuello. Ao atingir o pico de 1800 mortes diárias, Bolsonaro redobra a virulência do discurso de escárnio contra mais de um quarto de milhão de famílias em luto. Estas não tiveram sequer o direito de enterrar com dignidade seus entes queridos. Não há vacina, não há possibilidade de emprego, nem qualquer tipo de auxílio emergencial. O sistema sanitário está colapsado e as pessoas morrem em casa e na porta dos hospitais. Em janeiro dezenas foram chacinadas por sufocamento no Amazonas.

        A necropolítica, essência do projeto de poder bolsonarista – no qual todas as políticas públicas têm caráter eugenista, higienista e neomalthusiano – tornou-se perigosa também para o mundo. Trata-se de crime contra a humanidade de um governo que tem como plataforma o genocídio institucional. Seu paradigma é a ditadura militar sangrenta (1964-1985) e seus heróis são torturadores contumazes e milicianos assassinos.

        Em 2020-2021, o país tem batido diuturnamente os recordes mundiais negativos que detém e se consolida no topo do ranking das graves violações dos Direitos Humanos: desigualdade social; concentração de renda; lucratividade do sistema financeiro, do agronegócio, das empreiteiras e mineradoras; letalidade policial; número de casos de tortura e desaparecimentos forçados; racismo estrutural; genocídio sistêmico do Povo Negro e dos Povos Originários; destruição irreversível do meio ambiente; esbulho e espoliação institucionais dos territórios tradicionais de indígenas e quilombolas; aumento exponencial da população carcerária (terceira do mundo), sobretudo da feminina; níveis de desemprego, carestia, inflação e miserabilidade; fome endêmica. O Brasil é um dos campeões mundiais em feminicídios, estupros e violência contra a população LGBTQIA+. É primeiro do mundo em transfeminicídio. É autoevidente a misoginia da flexibilização institucional da compra, posse e porte de armas em um país com este prontuário. É igualmente autoevidente o caráter fascista da excludência de ilicitude/direito de matar no país cuja polícia é a mais violenta do mundo – aquela que de cada vez mais mata preto e pobre todo dia.

        A combinação das forças que compõem o governo – extrema direita de todos os matizes, empresários e financistas adoradores do ultraliberalismo, fundamentalismo evangélico e Forças Armadas - leva ao paroxismo a violência contra as mulheres no triplo recorte da opressão de gênero, de raça e de classe. Aprofunda-se processo galopante de fascistização do aparato repressivo/jurídico/legal/legislativo. As bancadas boi/bala/bíblia/jaula - maioria que sustenta o governo Bolsonaro/general Mourão no congresso - completam o quadro. O poder está nas mãos de machos reacionários, brancos, ricos, racistas, machistas, misóginos, heteronormativos. Todos têm ojeriza mortal aos Direitos Humanos, à diversidade, à classe trabalhadora, aos movimentos sociais. Não por acaso, o presidente da Câmara Federal Arthur Lira é praticante recorrente de violência doméstica, inclusive armada. Tem processos no Supremo Tribunal Federal e no Juizado de Violência Doméstica de Brasília.  Não por acaso a Assembleia Legislativa de São Paulo livra a cara de um deputado que assediou e apalpou a colega em plena sessão ordinária, com transmissão ao vivo e em cores.

        São os corpos femininos os mais atingidos pelo totalitarismo de mercado implementado por Paulo Guedes. Este potencializou a destruição dos direitos conquistados pela classe trabalhadora e pelos movimentos sociais ao longo de décadas. As mulheres constituem a maioria que ocupa os empregos terceirizados/precarizados. Constituem também a maioria dos empregos domésticos e do setor de serviços, os mais atingidos pelo desemprego e pelo arrocho salarial. O desmonte e o congelamento dos gastos em saúde e educação da Emenda Constitucional 95 (aquela do fim do mundo), o fim da aposentadoria, a porteira aberta para a superexploração do trabalho trazem a miséria absoluta que fatalmente atinge muito mais as mulheres. São ainda as mulheres aquelas que mais sofrem os despejos, remoções e devastações ambientais provocados pela reengenharia urbana excludente e segregadora praticada pelos governos, pela especulação, pelas empreiteiras e mineradoras.

        O moralismo e o obscurantismo fundamentalistas característicos da escalada fascista em andamento atingem o âmago do que constitui a própria razão de ser do feminismo: a luta contra a dominação da sociedade hegemônica patriarcal machista, racista, colonialista e patrimonialista. Estamos falando do direito ao aborto; dos direitos sexuais e reprodutivos como opção, não como imposição; do direito ao parto humanizado; do livre exercício da sexualidade; do combate à prisão do trabalho doméstico alienante, invisibilizado e desqualificado pelo sistema como improdutivo. Estamos falando da denúncia das instituições lar e família como garantidoras da manutenção e reprodução do patriarcalismo e como as maiores perpetradoras de estupros, feminicídios, pedofilia e violência doméstica.

        A mencionada escalada fascista é liderada por Bolsonaro e Damares Alves, sua dita ministra da mulher, da família e dos direitos humanos (?). O direito ao aborto livre, seguro e gratuito - questão de principio histórica, imprescritível e inegociável da luta pela autoemancipação feminina – continua sendo anátema no Brasil. Estamos no estágio medieval da criminalização do aborto. O caráter hediondo da cruzada anti-aborto adotada por Bolsonaro e Damares Alves como método de governo se escancarou em agosto de 2020, a partir do caso aterrador da menina capixaba de 10 anos que engravidou depois de passar metade de sua vida a ser estuprada por um tio. Pois ela foi, de novo, violada por Bolsonaro e Damares. Estes não só tentaram impedir o aborto previsto em lei (risco de vida para a mãe e resultado de estupro), como vazaram o nome da criança e do hospital onde seria feito o procedimento. Acossada pelas hordas bolsonaristas, ela teve que viajar clandestinamente para Recife onde finalmente foi realizado o aborto em um hospital referência, cujos profissionais também sofreram represálias. Desde então, Bolsonaro/Damares Alves publicaram uma profusão de medidas, portarias, recomendações que reforçam a criminalização do aborto e a exiguidade dos casos permitidos. Bem na linha do reacionarismo bolsonarista, o próximo passo é destruir o PNDH3 (Programa Nacional de Direitos Humanos) articulado em 2008 e publicado em 2009. Na mesma linha, podemos enumerar aqui uma sequência de iniciativas infames do sistema como os estatutos da família e do nascituro, os 52 projetos contra o aborto que tramitam no congresso, a lei de alienação parental, a abjeta Escola Sem Partido e sua estridente rejeição às palavras gênero e sexualidade.

        No dia 14 de março, a execução de Marielle Franco e Anderson Gomes completa três anos. Até agora não houve esclarecimento circunstanciado. Ninguém foi responsabilizado. Trata-se também de caso emblemático: Marielle Franco é mulher negra, periférica, lésbica e defensora dos Direitos Humanos. Representa totalmente os alvos principais do genocídio institucional e do racismo estrutural. A sua execução desvelou também mais uma peculiaridade sinistra do governo Bolsonaro/general Mourão: para além da promiscuidade da família Bolsonaro com milicianos assassinos, fica patente a presença orgânica das milícias no Palácio do Planalto. Tanto quanto os militares, os milicianos estão no poder.

        Para concluir: onde buscar o positivo em meio a tanta negatividade e iniquidade? O positivo é a própria luta, a negação resoluta da banalização do horror. Esta luta é contra-hegemônica, permanente e estrutural. A história do 8 de Março nos ensina que a luta feminista – assim como a luta pelos Direitos Humanos - visa a transformação radical da sociedade na perspectiva classista. É, por definição, Antipatriarcal, Antirracista, Antifascista, Anticapitalista e Decolonial. Retomemos as energias rebeldes e revolucionárias das mulheres que, há 150 anos, construíram a Comuna de Paris e das mulheres que, há 85 anos, combateram na Revolução Espanhola. Recuperemos as lutas autônomas e emancipatórias das indígenas e das zapatistas do México e a radicalidade radiante das guerrilheiras curdas de Rojava. Saudemos fortemente as feministas argentinas que, desde abaixo, acabaram de conquistar o direito ao aborto livre, seguro e gratuito. Saudemos fortemente as companheiras chilenas - com destaque para as indígenas Mapuche - que estão à frente do levante  contra o neoliberalismo. São também as mulheres que protagonizam agora a luta contra o golpe militar em Mianmar e as manifestações que já provocaram a queda do Ministro da Saúde no Paraguai.

        Saudemos fortemente as companheiras trabalhadoras – pobres, negras, indígenas, quilombolas, lésbicas e trans – que se organizam na luta cotidiana tenaz contra o terrorismo de Estado e do capital. Nosso reconhecimento às trabalhadoras da saúde, as quais estão na ponta da linha de frente no enfrentamento da COVID-19. Nossa solidariedade às mais de 265 mil famílias que choram a perda dos seus entes queridos para a pandemia e para a necropolítica do governo Bolsonaro/Mourão.

 

Fora o governo Bolsonaro/Mourão! Pelo fim do genocídio!

 

Vacinação imediata para todas/os!

 

Auxílio emergencial e renda básica universal já!

 

Direito ao aborto livre, seguro e gratuito!

 

Todo apoio às trabalhadoras da saúde!

 

Todo apoio às trabalhadoras do campo e da cidade!

 

Todo apoio às indígenas e quilombolas!

 

Todo apoio às moradoras de ocupações, vilas, favelas e periferias!

 

Machistas, misóginos, racistas, fascistas: NÃO PASSARÃO!

 

Belo Horizonte, 08 de março de 2021

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

EM TEMPOS DE PANDEMIA E CARESTIA, PARTICIPE DA CAMPANHA DE DOAÇÕES PARA A OCUPAÇÃO HELENA GRECO

 

CAMPANHA DE DOAÇÕES PARA A OCUPAÇÃO HELENA GRECO

 

Doe alimentos e itens de higiene pessoal

 

- PARA FAZER DOAÇÕES ENTRE CONTATO COM A COORDENAÇÃO:

 

*WhatsApp: (31) 9 8885 3649 | (31) 9 8016 7423

 

*Instagram: @ocupacao_helena_greco

 

*Facebook: https://www.facebook.com/helenagrego.helenagrego

 

TODO APOIO E SOLIDARIEDADE À OCUPAÇÃO HELENA GRECO – BAIRRO ZILAH SPÓSITO – BH/MG

 

Devido aos problemas gerados por governos e pandemia - como desemprego, fim do auxílio emergencial e carestia - moradoras/es da Ocupação Helena Greco mobilizam campanha permanente de doações para a comunidade.

 

A escassez bateu à porta das/os moradoras/es da ocupação. Participe desta ação solidária.

sábado, 23 de janeiro de 2021

FORA BOLSONARO! FORA MOURÃO! FORA MILICOS E MILÍCIAS! PELO FIM DO GENOCÍDIO!


       O Brasil e o mundo têm assistido estarrecidos, consternados e revoltados a morte por asfixia de centenas de pacientes da COVID-19 em Manaus/AM – crime premeditado praticado por Bolsonaro, com a cumplicidade dos governos estadual e municipal. As missões precípuas do nefasto gen. Eduardo Pazuello no seu hipermilitarizado Ministério (?) da Saúde (?) são o negacionismo científico, a manipulação de dados, a sonegação de informações, a mentira organizada, o desmonte do que restou das políticas públicas sanitárias.  Ninguém foi responsabilizado formalmente, o massacre continua. O estado do Pará já padece da falta de oxigênio. Há projeções de que esta situação hedionda se alastrará por todo o país. Este tem o segundo maior número de mortos e infectados do planeta. Enfrenta agora novo pico da pandemia, ainda mais letal que o primeiro.

         A tentativa de aniquilação do SUS, centros de pesquisa, universidades federais, o boicote aos testes, vacinas, equipamentos de proteção individual, o incentivo às aglomerações foram alçados a método de governo. Assim como a imposição de medicamentos e terapêuticas anticientíficos, mistificadores e inócuos. A ofensiva do sistema de saúde privado (conglomerados farmacêuticos, planos de saúde, grandes redes de hospitais de luxo) na busca de lucros ainda mais obscenos do que aqueles já praticados completa o quadro. Há ainda a tentativa da FIESP et caterva de furar a fila na compra de vacinas para monetizá-las e controla-las a bel prazer do mercado.  O que foi recebido com muito entusiasmo pela mídia corporativa.

        Esta prática deliberada de propagação da doença e da morte está inserida na escalada da necropolítica em todas as instâncias do governo Bolsonaro/Mourão/Guedes. Escalada, portanto, da fome, do desemprego, da miserabilidade, da eliminação física, da destruição irreversível dos nossos principais biomas e dos territórios tradicionais dos povos originários e quilombolas. Este governo tem na sua essência a militarização do sistema, o ultraliberalismo e o mais tacanho fundamentalismo evangélico. Como na ditadura militar (1964-1985), é um governo dos generais, com a peculiaridade abjeta da presença orgânica das milícias no Palácio do Planalto. Tem como paradigmas torturadores sanguinários e milicianos genocidas. Trata-se de projeto explícito de extermínio cujos componentes principais são o racismo estrutural, o genocídio institucional e o patriarcalismo colonial.  Sua principal vítima é a população negra, indígena e pobre. Esta tem sido fisicamente eliminada pela polícia mais letal do mundo e pelo totalitarismo de mercado projetado por Paulo Guedes.  O incremento da violência policial através de medidas como a excludência de ilicitude, o incentivo à indústria armamentista e o projeto de autonomização das polícias reforçam ainda mais o aparato repressivo e suas milícias. O fim criminoso do chamado auxílio de emergência, a manutenção do teto de gastos e do arrocho salarial, o projeto de reforma administrativa, a corrida privatista, o aprofundamento da desigualdade social, da reforma trabalhista e da concentração de renda fazem parte da ofensiva brutal contra as conquistas históricas da classe trabalhadora, das mulheres, da população LGBTQIA+, dos movimentos sociais.

        Assim, o governo Bolsonaro/Mourão/Guedes incorporou literalmente o sinistro grito de guerra da Espanha franquista: Viva a morte! Abaixo a inteligência! Temos clareza que a luta contra a escalada desta necropolítica tem caráter permanente, estrutural e planetário. Nossa luta tem que ser necessariamente Antirracista, Antifascista, Anticapitalista, Antipatriarcal e Decolonial.  No Brasil é ainda mais urgente: é o país campensíssimo mundial em todas as graves violações dos Direitos Humanos. A começar pelo Direito à Vida, o mais básico deles.  Não esqueçamos que se trata de crime contra a humanidade.

        Prestamos aqui nosso tributo às mais de 215 mil vítimas da COVID19, aos familiares e aos profissionais da saúde. Estes enfrentam cotidianamente as mais absurdas adversidades, ao combater a pandemia e os crimes sanitários do bolsonarismo. A elas/es devemos nossas vidas. Tal tributo só se efetivará com um desagravo, a erradicação das práticas genocidas: o fim do governo Bolsonaro/Mourão/Guedes.

- IMPEACHMENT JÁ!

- FORA BOLSONARO GENOCIDA! FORA MOURÃO, GUEDES, MILICOS E MILÍCIAS!

- TESTE E VACINA PARA TODA A POPULAÇÃO!

- DEFENDER O SUS!

- RENDA BÁSICA JÁ!

- LUTAR NAS RUAS E GREVE GERAL!

- PELO FIM DO GENOCÍDIO DO POVO NEGRO E DOS POVOS INDÍGENAS!

- ABAIXO O TERRORISMO DE ESTADO E DO CAPITAL!

Belo Horizonte, 23 de janeiro de 2021                                                                                      Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania                                                          Sempre na luta Antirracista, Antifascista e Anticapitalista!

★ FORA BOLSONARO E MOURÃO! PELO FIM DO GENOCÍDIO! ATOS EM BH | SÁBADO | 23.01.2021






domingo, 20 de dezembro de 2020

★ TODO APOIO E SOLIDARIEDADE À OCUPAÇÃO HELENA GRECO! ★

No sábado, dia 19/12/2020, foi realizado na Ocupação Helena Greco – Bairro Zilah Spósito – BH/MG, o grande encontro do 1º Natal Solidário. Foi uma campanha de doações para a ocupação organizada pelas moradoras/coordenadoras, que começou em novembro.

Foram distribuídas as doações para as moradoras e moradores da ocupação. O encontro comunitário respeitou todas as medidas de prevenção à COVID-19, com o uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento.

Quem não fez as doações, ainda pode fazê-las. A ocupação possui 270 famílias.

Doe alimentos não perecíveis, cestas básicas, leite em caixa, materiais de limpeza, materiais de higiene, kit de primeiros socorros, álcool em gel, máscaras, brinquedos, roupas...  

PARA FAZER DOAÇÕES ENTRE EM CONTATO COM A COORDENAÇÃO:

*WhatsApp: (31) 9 8885 3649 | (31) 9 8016 7423

*Instagram: @ocupacao_helena_greco

*Facebook: https://www.facebook.com/helenagrego.helenagrego

Ocupação Helena Greco – Bairro Zilah Spósito – BH/MG

Comunidade de luta! Existe e resiste desde 2011.

Belo Horizonte, 20 de dezembro de 2020

Apoio e solidariedade incondicionais!

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

10 DE DEZEMBRO: DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS | No bolsonarismo e no capitalismo não há Direitos Humanos!

    O Dia Internacional dos Direitos Humanos é marcado por luto e luta: o Estado brasileiro segue mantendo sua tradição histórica como um dos maiores violadores dos Direitos Humanos do mundo. O Brasil tem a segunda maior população negra e mais de 350 anos de escravidão no prontuário. É o país do racismo estrutural, do genocídio institucional do Povo Negro e dos Povos Indígenas, do encarceramento em massa. Tem a terceira maior população carcerária. Tem um dos maiores índices de concentração de renda e desigualdade social. Tem a polícia mais violenta e mais letal do planeta. É o campeão mundial em transfeminicídio e violência contra LGBTQIA+.  Ocupa a quinta posição em casos de estupro, feminicídio e violência doméstica, que têm aumentado exponencialmente nestes tempos de pandemia. É campeão em destruição do ecossistema e em esbulho dos territórios indígenas e quilombolas. É um dos campeões em crimes do latifúndio. É vice-campeão em mortes e contaminação pela COVID-19, que atinge sobretudo a população negra, indígena e pobre.

    A tortura, os desaparecimentos forçados, as execuções sumárias, o negacionismo histórico, a fabricação do esquecimento – legados da ditadura militar (1964-1985) – permanecem como sólidas instituições por aqui. Na próxima segunda-feira, dia 14/12, completam-se 10 anos da condenação do Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos por estes crimes contra a humanidade cometidos pela ditadura: torturas, mortes e desaparecimentos dos militantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1974). A sentença determina o esclarecimento das circunstâncias destes crimes e sua publicização; a responsabilização judicial dos culpados; a abertura irrestrita dos arquivos da repressão; a localização e devolução dos restos mortais das/os guerrilheiras/os aos familiares; o resgate da memória e a reparação histórica. Ao longo de 10 anos o Estado brasileiro tem se recusado terminantemente a cumprir estas determinações. Agora, então, quando opera no modo fascismo, isto parece mais distante do que nunca.

    Estes dois anos de governo Bolsonaro/Mourão/Guedes têm levado ao paroxismo todas estas graves violações dos Direitos Humanos arroladas nos dois primeiros parágrafos, adotando-as como política de Estado. Os componentes do projeto de poder bolsonarista são a militarização sistêmica, o fundamentalismo evangélico, o conservadorismo, o neoliberalismo – a extrema direita. Torturadores contumazes e milicianos genocidas são seus paradigmas.

    A polícia mais violenta do mundo – que mata preta/o e pobre todo dia – é a manifestação mais imediata do racismo estrutural e do genocídio institucional vigentes. Estes são sustentados por dispositivos fascistas do aparato repressivo/jurídico/legislativo tais como o pacote anticrime de Sérgio Moro e o excludente de ilicitude (leia-se direito de matar) para as polícias e as forças armadas. E ainda: a draconiana Lei de Segurança Nacional (da época da ditadura), a lei do crime organizado e a lei antiterrorismo, que criminalizam manifestações e movimentos sociais.

    Crianças e adolescentes das favelas e periferias constituem agora o alvo principal da política de extermínio daí advinda. Só no Rio de Janeiro, 12 crianças negras foram executadas neste ano: Anna Carolina de Souza Neves, Douglas Enzo, Ítalo Augusto, João Pedro, Emily Vitória, Rebeca Beatriz, Kauã Vitor da Silva, Leônidas Augusto, Luiz Antônio de Souza, Maria Alice Neves, Rayane Lopes, João Vitor Moreira.

    Denúncias de execuções, torturas e maus tratos se multiplicam em todo o Brasil. No massacre de Paraisópolis (São Paulo/SP) há um ano, nove adolescentes negros foram mortos e dezenas feridos pela polícia. Até agora não houve qualquer tipo de reparação para vítimas e familiares. Nenhum policial foi responsabilizado. No dia 08/12, em Porto Alegre/RS, na Vila Grande Cruzeiro, a ativista dos movimentos negro, feminista e dos Direitos Humanos Jane Beatriz de Souza Nunes foi assassinada em abordagem truculenta e ilegal da 1ª Brigada Militar, que tentava invadir a sua casa. Toda a comunidade está mobilizada em protesto. No Rio Grande do Sul, só no primeiro semestre de 2020 foram 90 as mortes por policiais. Em Belo Horizonte/MG houve também significativo aumento da violência policial: no dia 07/12 duas meninas (11 e 16 anos) – que felizmente sobreviveram - foram baleadas pela Policia Militar na Vila Mariquinhas, região de Venda Nova. No dia 07/12 duas jovens (17 e 22 anos) foram feridas pelas famigeradas balas perdidas no Aglomerado da Serra. Em todos os fins de semana há notícias de vítimas da polícia nas vilas e favelas. O desmantelamento do aparato repressivo, assim, é elemento essencial da luta Antirracista.

    O assassinato de Beto Freitas (40 anos) por seguranças do Carrefour em Porto Alegre/RS desvelou mais uma vez, ao vivo e em cores, o racismo estrutural contido na consubstancialidade entre terrorismo de Estado e terrorismo do capital. Revelou também a promiscuidade e organicidade entre segurança pública e segurança privada. As empresas de segurança privada têm geralmente como proprietários policiais e/ou militares, que constituem também a maioria dos seus quadros. São treinadas pela Polícia Militar e monitoradas pela Polícia Federal. Um dos executores de Beto Freitas é policial temporário, outra ilegalidade flagrante. O fato de ter acontecido em pleno Dia Nacional da Consciência Negra (20/11) acabou conferindo destaque a uma prática sistemática corriqueira e protocolar – banalizada ao extremo no país. Desvelou ainda o processo crescente de fascistização da sociedade: Beto Freitas foi executado publicamente sob tortura em área social bastante movimentada de uma das maiores transnacionais que atuam no país. Funcionários da empresa participaram diretamente do crime. Houve plateia a favor e indiferente. Foram feitas gravações, transmitidas em tempo real nas chamadas redes sociais. Algo muito semelhante à execução de George Floyd nos Estados Unidos, em maio deste ano. No dia 07/12, o jovem negro Alex Junior Alves de Souza (28 anos) foi agredido verbalmente e violentamente espancado pelo dono e seguranças do supermercado Guaicuí, em Várzea das Palmas/MG, acusado indevidamente de roubo.  

    No dia 08/12, completaram-se 1000 dias da execução sumária de Marielle Franco e Anderson Gomes.  Até hoje o processo se arrasta sem desfecho. Além do racismo estrutural, aí fica escancarada a peculiaridade mais abjeta do governo bolsonarista: a presença orgânica das milícias no Palácio do Planalto. O miliciano escritório do crime atua ao lado do gabinete do ódio. Ambos estão muito bem instalados no centro do poder. O crime organizado, a mentira organizada e a militarização sistêmica se retroalimentam. O governo é miliciano.

    A necropolítica neoliberal completa este quadro aterrador ao agravar a destruição que do que restou das conquistas de décadas de luta da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Trata-se agora do aniquilamento definitivo dos direitos trabalhistas, das políticas públicas de previdência social, saúde, educação, moradia, saneamento básico, segurança alimentar, seguridade social. O sucateamento do SUS é uma das medidas mais deletérias. Tudo é transformado em commodities para atender aos desígnios do mercado total, cujo maior beneficiário é o capital financeiro. De novo, os mais atingidos são as/os negras/os, indígenas e pobres. A luta Antirracista é necessariamente Anticapitalista.

    Na perspectiva da mercantilização desenfreada, em parceria com donos de hospitais psiquiátricos privados (leia-se manicômios) - organizados na Associação Brasileira de Psiquiatria, no Conselho Federal de Medicina e na Associação Brasileira de Medicina - o governo Bolsonaro quer agora determinar com uma canetada o desmonte sumário e cabal da Política de Saúde Mental. Esta é baseada na Luta Antimanicomial e Antiproibicionista. Constitui acúmulo de décadas de luta pelo fim das prisões e dos manicômios. Tem como princípios os Direitos Humanos, a prática comunitária, a horizontalidade, o protagonismo das/os usuárias/os e das trabalhadoras/es dos serviços de Saúde Mental. As/os negras/os - a grande maioria dos usuários – mais uma vez serão as grandes vítimas desta iminente retomada da lógica do confinamento, dos choques elétricos, das práticas de contenção, hospitalização e medicalização. Trata-se de mais uma investida eugenista e genocida do supermilitarizado Ministério da Saúde bolsonarista, responsável também pelo massacre provocado pela COVID-19, por negar prevenção e atendimento às comunidades indígenas e quilombolas, por boicotar as vacinas em andamento, por retirar a população carcerária das futuras listas de vacinação. A essência de tudo isto é o racismo estrutural. Fica evidente, portanto, a interface entre luta Antirracista e luta Antimanicomial.

    Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos reafirmamos mais uma vez nossas homenagens a todas as vítimas do terrorismo de Estado e a todas/os  que combatem o racismo estrutural e o genocídio institucional. Sabemos que estas são iniquidades constitutivas do sistema capitalista, o qual forjou o colonialismo, o escravismo, o patriarcalismo, o imperialismo e o fundamentalismo. Trata-se, portanto, de luta internacionalista contra-hegemônica e decolonial. É preciso articular Feminismo, direito à Diversidade, Antirracismo, Antifascismo e Anticapitalismo. É esta a nossa concepção da luta pelos Direitos Humanos.

Pelo fim do genocídio do Povo Negro e dos Povos Indígenas!

Pelo fim das execuções, dos desaparecimentos forçados e da violência policial nos morros, vilas, favelas e ocupações!

Pelo desmantelamento do aparato repressivo!

Abaixo o terrorismo de Estado e do capital!

Anna Carolina de Souza Neves, Douglas Enzo, Ítalo Augusto, João Pedro, Emily Vitória, Rebeca Beatriz, Kauã Vitor da Silva, Leônidas Augusto, Luiz Antônio de Souza, Maria Alice Neves, Rayane Lopes, João Vitor Moreira: Presentes, hoje e sempre!

Belo Horizonte, 10 de dezembro de 2020

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

COMPANHEIRA MARIA AUGUSTA CAPISTRANO: PRESENTE, HOJE E SEMPRE!

Foi com muito pesar que recebemos a notícia do falecimento da companheira Maria Augusta Capistrano. Ela morreu na tarde de hoje, aos 102 anos.  Feminista, militante comunista desde a década de 1940, foi presa pela ditadura militar. Viveu muitos anos na clandestinidade. Foi membro do Comitê Brasileiro pela Anistia.

Seu marido David Capistrano da Costa foi sequestrado, preso e assassinado sob tortura - juntamente com José Roman – a 18 de março de 1974. David Capistrano e José Romão são desaparecidos pela ditadura.

Maria Augusta Capistrano é uma das grandes referências da luta contra a ditadura, da luta pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, da luta por Memória, Verdade e Justiça.

Companheira Maria Augusta Capistrano, presente na luta!

(21/10/1918 – 08/12/2020)

Belo Horizonte, 08 de dezembro de 2020

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG

Imagem/Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=10218322970611709&set=a.10205105484862826

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

PARTICIPE DA CAMPANHA: 1º NATAL SOLIDÁRIO OCUPAÇÃO HELENA GRECO

TODO APOIO E SOLIDARIEDADE À OCUPAÇÃO HELENA GRECO!

Moradoras/es da Ocupação Helena Greco estão mobilizadas/os em campanha de doação.

"1º NATAL SOLIDÁRIO OCUPAÇÃO HELENA GRECO

Doe 1 kg de alimento ou cesta básica.

Ajude-nos a fazer um Natal Solidário.

Para fazer doações, entre em contato com a coordenação pelo WhatsApp:

(31) 9 8885 3649

Ocupação Helena Greco – Bairro Zilah Spósito – Belo Horizonte/MG

Sem luta não há conquista!

Juntas/os pela nossa comunidade".


- INFORMAÇÕES/ACESSE (Instagram e Facebook da Ocupação):

 

https://www.instagram.com/ocupacao_helena_greco/

 

@ocupacao_helena_greco

 

https://www.facebook.com/helenagrego.helenagrego


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA PELA TERRA

“A ABRAPO convida a todas/os para participar de importante debate, organizado com o Observatório da Justiça Agrária, sobre A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA PELA TERRA, que ocorrerá no dia 05/11 às 18 horas.

 

Debatedores:

 

Prof. Dr. Carlos Frederico Marés de Souza Filho - PUC/PR e

 

Representante da Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres.

 

Certificado de 3 horas extracurriculares.

 

Façam suas inscrições para receber o link do evento:

https://forms.gle/x1YhWapJyL427x1b9

 

- Imagem, texto e informações/Fonte – Acesse (ABRAPO - Associação Brasileira dos Advogados do Povo):

 

http://abrapo.org/2020/10/31/evento-a-criminalizacao-da-luta-pela-terra/

 

https://www.facebook.com/Abrapo/photos/a.1276285662480896/3233058026803640

 

http://abrapo.org/