quinta-feira, 25 de maio de 2023
NOTA DE REPÚDIO À INSTITUIÇÃO DA CAMPANHA JANEIRO BRANCO | NOSSA LUTA É COLORIDA E SE FAZ TODO DIA!
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
quarta-feira, 24 de maio de 2023
NOTÍCIA/18M - DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL - BH/MG | “PLANTANDO A ESPERANÇA, REFLORECENDO O AMANHÃ: PESSOAS SÃO PARA DAR FRUTOS DOCES E TANTANS”
O 18
de Maio de 2023 marcou a volta às ruas da histórica manifestação anual do Dia
Nacional da Luta Antimanicomial. Foi realizada pelo Fórum Mineiro de Saúde
Mental, pela Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental (ASSUSSAM/MG)
e pela Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA). Esta
histórica manifestação presencial havia sido interrompida por conta da
pandemia.
A
volta às ruas foi extraordinária! Contou com a participação de centenas de
pessoas: usuárias/os e trabalhadoras/es em saúde mental de todos os serviços
substitutivos de Belo Horizonte, da Região Metropolitana e de algumas cidades
do interior de Minas Gerais; movimentos sociais; sindicatos; estudantes.
A
Escola de Samba brilhou com o samba-enredo “O PULO DO CAVALO AZUL NINGUÉM CANCELA”,
de autoria do Centro de Convivência Barreiro. O samba-enredo evoluiu em cinco
alas:
- “O povo que não conhece sua história
está condenado a repetir o passado e a feiura do manicômio”;
- “Dê-Lírios: nada de nós sem nós”;
- “Das favelas aos Yanomami, seu
ancestral é uma criança”;
- “Espinhos pelo caminho, ervas
daninhas pelo chão: redução de danos é ética de cuidado em liberdade;
proibicionismo é morte e destruição”;
- “Sem anistia, sem milico: não
arredar o pé da luta, buscar no fundo da loucura a semente da liberdade”.
O
desfile-manifestação tomou as ruas de BH com o seguinte itinerário: Praça da
Liberdade, Av. João Pinheiro, Av. Afonso Pena, Rua Espírito Santo, Rua
Tupinambás, Av. dos Andradas e Praça da Estação. Mostrou bem toda a beleza,
diversidade, combatividade e radicalidade da Luta Antimanicomial.
ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: PRESENTE,
HOJE E SEMPRE!
VIVA A LUTA ANTIMANICOMIAL!
LONGA VIDA AO PULO DO CAVALO AZUL!
#NenhumPassoAtrásManicômioNuncaMais
Belo Horizonte, 24 de maio de 2023
Instituto Helena Greco de Direitos
Humanos e Cidadania – BH/MG
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
segunda-feira, 22 de maio de 2023
★ ZONA LESTE UNDERGROUND - SOM E AÇÃO SOLIDÁRIA
★ ZONA LESTE UNDERGROUND
SÁBADO, DIA 10/06/2023 - DE 12:00 ÀS 21:00 HORAS.
★ LOCAL/ENDEREÇO: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - Rua Hermilo Alves,
nº 290, Bairro Santa Tereza - Belo Horizonte/MG.
★ ENTRADA SOLIDÁRIA: 1kg de alimento não perecível para o Projeto Alimento e Ação da Kasa Soul de
Divinópolis/MG e para a Ocupação Helena
Greco, no Bairro Zilah Spósito - BH/MG.
★ PROGRAMAÇÃO:
★ 12:00 HORAS - ABERTURA DO ESPAÇO:
- VENDA DE
COMIDA VEG pela Casa de Angola - refeição,
salgados e chá gelado.
- VENDA DE
CERVEJA pelo Instituto Helena Greco de
Direitos Humanos e Cidadania, a preços populares.
*A arrecadação será convertida para os gastos com a
atividade e para manutenção do espaço - sem fins lucrativos.
- FEIRINHA
UNDERGROUND - discos,
camisetas, livros, zines, materiais diversos.
- DISCOTECAGEM
EM VINIL com Gabriel Herege, Metalpunk Overkill.
★ 14:00 HORAS (em ponto) - RODA DE CONVERSA: - 10 anos das Jornadas
de Junho de 2013.
★ 16:00 HORAS (em ponto) - APRESENTAÇÃO DAS BANDAS:
- OS CONTRAS (Punk Hardcore) - BH/MG
-
DESISTÊNCIA ZERO (Hardcore)
- BH/MG
- EXTINÇÃO (Punkcore) - Betim/MG
- TRANSTORNO
- Som do Lixo (Punk Rock)
- Sete Lagoas/MG youtube.com/@bandatranstorno1986
- BLACK
VODOO - One Man BAND (Primitive
Psychobilly/Horror Punk/Macumba) - Ouro Preto/MG
★ ORGANIZAÇÃO/PARCERIA:
- INSTITUTO HELENA GRECO DE DIREITOS HUMANOS E
CIDADANIA - BH/MG
- KASA SOUL (Espaço Cultural/Social) - Divinópolis/MG
- NO FUTURE DISTRO (Selo/Bandas/Turnês) - Divinópolis/MG
- K.G.C. RECORDS - Kativeiro Gravações Clandestinas
(gravadora) - BH/MG
- CASA DE ANGOLA (Cozinha/Capoeira Angola) - BH/MG
- PUNHO EM RISTE RECORDS (Selo/Distro) - Betim/MG
- SETE LAGOAS UNDERGROUND (Selo/Distro/Eventos) -
Sete Lagoas/MG
- METALPUNK ORVEKILL (Coletivo que produz eventos
de forma underground e autogerida) - BH/MG
★ ZONA LESTE UNDERGROUND - SOM E AÇÃO SOLIDÁRIA:
A idealização partiu da Kasa Soul de Divinópolis/MG
e do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG. Parte
necessária dos equipamentos é do K.G.C. (Kativeiro Gravações Clandestinas -
BH/MG). Estamos inaugurando evento independente e autogestionário, com proposta
de ter novas edições. É uma relação de apoio mútuo e horizontalidade entre
organizadores, bandas e visitantes. Trata-se de atividade sem fins lucrativos -
espaço para as lutas sociais - aberto, transparente, diverso e de unidade
Antifa.
*nazi/fascistas, golpistas, racistas, machistas e
lgbtqiapn+fóbicos: NÃO PASSARÃO!
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
segunda-feira, 1 de maio de 2023
1º DE MAIO DE 2023: DIA INTERNACIONAL DE LUTA DA CLASSE TRABALHADORA
Reafirmamos
hoje o caráter combativo, independente e Anticapitalista da história da luta da
Classe Trabalhadora. Neste país, a tentativa de destruição das conquistas e da
memória desta luta é matéria de longa duração. O ultraliberalismo, consolidado
mais ainda no governo fascista de Bolsonaro (2019-2022), levou este processo às
máximas consequências.
O
genocida se foi, mas o ultraliberalismo não. O Brasil continua a ser um dos
países de maior desigualdade e concentração de renda do mundo. Empresários,
banqueiros, latifundiários, empreiteiros, donos das mineradoras, barões da
imprensa corporativa e das concessionárias do transporte público auferem lucros
estratosféricos, os maiores do planeta. Privatismo sistêmico, arrocho salarial
e desmonte das políticas públicas – sobretudo de saúde, educação, moradia e
transporte – garantem este cenário.
Mais
de 40% da força de trabalho está na informalidade. É generalizada a prática de
salários de fome e a precarização escorchante das condições de trabalho. Cresce
exponencialmente o número de casos de trabalho análogo à escravidão. Um terço de
brasileiras/os passam fome e estão abaixo da linha da pobreza. Mais da metade
está no limiar dela e sofre insegurança alimentar.
O arcabouço fiscal, em vias de ser
aprovado, tem a mesma lógica interna do famigerado teto de gastos que propõe substituir. Trata-se da manutenção do
totalitarismo de mercado em detrimento das políticas públicas voltadas para a
maioria da sociedade. É esta também a lógica das contrarreformas fiscal,
trabalhista e previdenciária, as quais precisam ser abolidas totalmente.
A
interdição do piso salarial para Trabalhadoras/es em Educação e do reajuste dos
salários leva ao aumento ainda maior da exploração desta categoria. A infame
proposta do NEM (Novo Ensino Médio) pode levar ao aniquilamento da própria Educação
enquanto tal. Há ainda a escalada abjeta da militarização das escolas: a
Educação tornou-se inaceitável questão de segurança pública, caso de polícia. As
ofensivas institucionais contra as ocupações rurais e urbanas se enquadram no
projeto higienista e segregacionista do mercado total. Projeto mantido através
de despejos, remoções forçadas, perseguições, prisões e extermínio na cidade,
no campo, nas florestas.
Em
Minas Gerais, o governador bolsonarista/fascista Romeu Zema (Partido Novo) leva
esta política de destruição ao extremo. Seu projeto de reforma administrativa
visa explicitamente fazer tábula rasa dos serviços públicos. Zema decretou aumento
de 300% do seu honorário e sequestrou para seus interesses de classe os recursos
do FUNDEB. Ao mesmo tempo interditou o Piso Salarial Nacional (direito
garantido constitucionalmente), devastou financeira e fisicamente a rede
estadual de ensino e arrochou o pagamento das/os Trabalhadoras/es em Educação,
que têm os piores salários do país. As Auxiliares de Serviço de Educação Básica
(ASBs) não recebem sequer o salário mínimo – recebem apenas 900 reais por mês
por 30 horas semanais. E ainda mais: Zema promove ofensiva brutal contra o
sindicato da categoria (Sind-UTE/MG) - um dos maiores do mundo – ao aplicar
multa absurda de 3,2 milhões de reais por conta de uma greve de 32 dias em março-abril
do ano passado. Tudo isto com o respaldo do Tribunal de Justiça de Minas Gerais
(TJMG) em seu reacionarismo proverbial.
O
prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD) segue à risca a mesma política de
destruição do governador fascista contra as/os Trabalhadoras/es em Educação. As/os
aposentadas/os são ainda mais prejudicadas/os. Fuad pratica projeto muito
determinado de precarização e privatização da Rede Municipal de Ensino e de
Saúde. Sua política urbana é ditada
pelas grandes empreiteiras e pelas concessionárias do transporte público. De novo: privatismo,
higienismo, segregacionismo. Belo Horizonte tem o transporte público (¿) mais caro do país: no dia 23
de abril, a passagem teve aumento de 33%, passando de R$4,50 para E$6,00! Ataque
direto ao direito básico de ir e vir.
Nossa
luta contra este projeto necroliberal, portanto, é estrutural e permanente. Os
mais atingidos por este projeto de destruição e morte são o Povo Negro, os
Povos Indígenas, as comunidades periféricas e faveladas. As mulheres negras são
triplamente exploradas – opressão de gênero, raça e classe. A luta da classe
trabalhadora é necessariamente Antirracista, Antifascista e Anticapitalista. E
também Anticolonial, Anti-imperialista, Feminista e Antipatriarcal. É assim que
entendemos a luta pelos Direitos Humanos.
VIVA
A LUTA INDEPENDENTE E COMBATIVA DA CLASSE TRABALHADORA!
ABAIXO AS PRIVATIZAÇÕES E O
NEOLIBERALISMO!
PELA REVOGAÇÃO DAS CONTRARREFORMAS
NECROLIBERAIS (PREVIDENCIÁRIA, TRABALHISTA, TETO DE GASTOS)!
NÃO AO ARCABOUÇO FISCAL!
ABAIXO O NOVO ENSINO MÉDIO!
PISO SALARIAL PARA TRABALHADORAS/ES EM
EDUCAÇÃO E ENFERMAGEM!
DESPEJO ZERO E PASSE LIVRE JÁ!
Belo Horizonte, 1º
de Maio de 2023
Instituto Helena
Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
quarta-feira, 26 de abril de 2023
★ ENCONTRO ANUAL DE ESTUDOS DE MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA - 6ª Edição (2023)
DATA: Sábado, dia 29 de abril de 2023.
HORÁRIO: de
10:00 às 12:00 horas.
LOCAL/ENDEREÇO: Instituto
Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - Rua Hermilo Alves, nº 290,
Bairro Santa Tereza - Belo Horizonte/MG.
★ LEITURA PARA DEBATE:
BESSI,
Renata. CIA treinou polícia para agir contra indígenas no Regime Militar (artigo
de 22 de janeiro de 2016). AVISPA MIDIA,
21 de abril de 2023. Disponível em: https://avispa.org/indigenas-violacao-regime-militar/
-
Solicitamos a todas e todos que venham com o texto lido em mãos.
- O
horário do encontro é de 10:00 às 12:00 horas. Cheguem no horário -
aguardaremos a chegada dos participantes até às 10h15. O encontro poderá
se estender após as 12h.
-
Serão emitidos certificados para participantes.
O Encontro
Anual de Estudos de Memória, Verdade e Justiça constitui a pesquisa, o
estudo, a leitura e a discussão sobre as questões que envolvem os Direitos Humanos,
a luta contra o terrorismo de Estado com destaque para as lutas contra as ditaduras
do cone sul da América Latina. O encontro é realizado anualmente em abril, mês
do golpe de 1964 que consolidou a ditadura militar de 21 anos no Brasil (1964-1985).
Esta
atividade não aconteceu de 2020 a 2022 porque passamos por reforma e ampliação
do espaço físico e por causa da pandemia de COVID-19. Aos poucos estamos retomando nossa
periodicidade.
ABRIL DE 2023: 59 ANOS DO GOLPE DE 1964
- DITADURA NUNCA MAIS!
ABAIXO
O TERRORISMO DE ESTADO E DO CAPITAL!
- INFORMAÇÕES:
https://www.facebook.com/institutohelenagreco/
institutohelenagreco.blogspot.com/
institutohelenagreco@gmail.com
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
quarta-feira, 19 de abril de 2023
VIVA A BRAVA LUTA DOS POVOS INDÍGENAS! ABAIXO O GENOCÍDIO, O ETNOCÍDIO E O EPISTEMICÍDIO!
No início de
2023, somos confrontados com um cenário de devastação que a revelaram uma
situação há muito denunciada pelos Povos Indígenas, pelos Direitos Humanos e movimentos
sociais. A política indigenista bolsonarista constituiu-se na proposta de
assimilação violenta, no massacre, no extermínio - cópia da ditadura militar
(1964-1985). Pautou-se pelo incentivo à invasão e pelo esbulho das terras dos
Povos Originários. Houve desfinanciamento sistemático da saúde e da
educaçao indígenas. Como na ditadura, os Povos Indígenas foram considerados empecilhos
ao desenvolvimento do capitalismo e à segurança nacional.
Ao longo dos quatro
anos de governo genocida houve uma escalada da ofensiva contra os Povos
Originários. Em 2022, inúmeras situações de violência extrema foram
denunciadas. Além das ameaças de despejo e cortes de água e luz, a Aldeia
Pataxó Novos Guerreiros (Porto Seguro/Bahia) sofreu a execução de três membros
de sua comunidade. No dia 13 de março de 2022, ocorreu o assassinato da jovem
liderança Pataxó Vitor Braz, neto da Pajé Japira. Seu assassinato foi seguido pelo
do tio, Iris Braz, e do primo, Geferson Novais Santos - filho de Iris. Tal
escalada da violência institucional contra os Povos Indígenas foi provocada pela
política bolsonarista sistemática de não demarcação de Terras Indígenas. Além
da violência policial, das investidas dos pistoleiros a serviço do latifúndio, das
empreiteiras e mineradoras, há também a violência do tráfico de drogas e das
milícias. Violência esta impulsionada pela indústria predatória e ecocida do turismo
local. A presente situação coloca essas comunidades mais vulneráveis para as
violências às quais estão expostas historicamente. É isto o que o necroliberalismo
tem a oferecer aos Povos Originários: fome, violência, pobreza, doenças, exploração,
extermínio.
Em 2023, esta
violência não deu trégua. No início do ano, dois jovens Pataxó, Nawir Brito de
Jesus (17 anos) e Samuel Cristiano do Amor Divino (25 anos) foram executados
por pistoleiros. Desde agosto de 2022, os Pataxó do Sul da Bahia já denunciavam
contínuas ameaças de pistoleiros que chegaram a cercar as aldeias Boca da Mata
e da Cassiana, as quais buscam a retomada de uma Terra Indígena invadida por
fazendeiros. No dia 15 de abril, o Pataxó Hã-Hã-Hãe Daniel Souza (17 anos) foi
morto a tiros nas proximidades de sua casa, na Aldeia Selva de Pedra. O
principal suspeito desse crime é filho da prefeita do município de Pau
Brasil/BA, Bárbara Suzete de Souza (PSD).
Outra comunidade
que também sofreu especialmente esta política genocida foi o Povo Guajajara da
Terra Indígena Arariboia no município de Amarante/Maranhão. No dia 3 de
setembro de 2022, em um ataque de pistoleiros, Janildo Oliveira Guajajara foi assassinado.
No mesmo dia, em outra localidade, foi a vez de Jael Carlos Miranda Guajajara. No
dia 11 de setembro, Antônio Cafeteiro Sousa Silva Guajajara foi executado com seis
tiros. No dia 9 de janeiro de 2023, Benedito Guajajara (18 anos) e Júnior
Guajajara (16 anos) foram alvejados na cabeça. Ficaram internados em estado grave.
Estes são alguns dos muitos casos ao longo do ano de 2022 e início de 2023.
A situação de
desnutrição, adoecimento, intoxicação, envenenamento e contínuas violências
vivenciadas pelos Yanomami, escancaradas no início de 2023, revelou as
pavorosas consequências da política genocida de Bolsonaro contra os Povos
Indígenas. O número é aterrador: 570 crianças morreram por causas evitáveis. Segundo
dados do Ministério da Saúde, a desnutrição atinge 50% das crianças Yanomami.
Fome, malária, tuberculose, intoxicação por mercúrio são flagelos endêmicos que
assolam o Povo Yanomami. Esta situação se agravou ao extremo pelo descaso
sistemático do governo Bolsonaro. Mais de 21 pedidos de ajuda direcionados formalmente
a ele foram ignorados. Os aproximadamente 28 mil Yanomami viram suas terras
invadidas por mais de 20 mil garimpeiros. Todo esse cenário de destruição é
fruto do incentivo institucional ao garimpo, à mineração, ao desmatamento em
Terras Indígenas, o que é terminantemente proibido pela constituição federal.
Cabe reiterar que
o governo Bolsonaro institucionalizou as invasões de Terras Indígenas e o saque
de suas riquezas. Em abril de 2020, poucos dias depois do ainda então chamado
"Dia do Índio”, o governo genocida publicou a Instrução Normativa n°9 por
meio da FUNAI. Esta liberou a certificação de fazendas dentro de Terras Indígenas
ainda não homologadas. Tal instrução - ainda não revogada - é responsável pela
certificação de mais de 9 mil hectares de fazendas em Terras Indígenas. Sônia
Guajajara, ministra dos Povos Indígenas do governo Lula, determinou a revogação
da normativa. Até o presente momento, no entanto, a FUNAI não a publicou, o que
permite que novas fazendas ocupem Terras Indígenas em processo de homologação.
O novo ministério
dos Povos Indígenas é conquista de histórica luta dos Povos Indígenas. Está,
contudo, sob grande conflito de interesses. O governo Lula busca conciliar
interesses inconciliáveis. A representatividade sem uma real transformação das
ações do governo servirá apenas para construir uma imagem falsa e mitigada da
realidade. Buscando limpar a imagem negativa que o governo Bolsonaro deixou
internacionalmente, o ministério pode ser rebaixado a mera instância
representativa, desprovida de capacidade para transformar esta realidade.
Viemos a público repudiar
o genocídio, o etnocídio e o epistemicídio que se abate sobre as comunidades indígenas.
Forte saudação à combativa e longa luta dos Povos Indígenas. A luta em defesa dos
Povos Indígenas e de seus territórios é princípio da luta pelos Direitos
Humanos.
PELO FIM DO
GENOCÍDIO DOS POVOS INDÍGENAS!
PELA DEMARCAÇÃO IMEDIATA
DAS TERRAS INDÍGENAS!
PELO DIREITO À
HISTÓRIA, À MEMÓRIA, À VERDADE E À JUSTIÇA!
Belo Horizonte,
19 de abril de 2023
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
sexta-feira, 7 de abril de 2023
35ª MEDALHA CHICO MENDES DE RESISTÊNCIA (2023) - GRUPO TORTURA NUNCA MAIS/RJ
Na
última segunda-feira, 3 de abril de 2023, na Capela Ecumênica da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi realizada a 35ª edição da Medalha Chico
Mendes de Resistência, do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ. Esta medalha homenageia
pessoas e entidades – do Brasil e do mundo - que lutaram e lutam pelos Direitos
Humanos, contra a ditadura e contra todas a formas de opressão. Desde 1989, acontece
no dia 1º de abril (ou em data próxima), em repúdio ao golpe militar de 1964.
As/os
homenageadas/os deste ano consolidam ainda mais o repertório acumulado ao longo
dos 34 anos da Medalha Chico Mendes de Resistência e dos 38 anos do Grupo Tortura
Nunca Mais/RJ. Representatividade, diversidade e combatividade são seus
fundamentos, os quais evidenciam a atualidade da luta. Evidenciam também a
ligação inextricável entre a luta por Memória, Verdade e Justiça e a luta
contra o terrorismo de Estado de ontem e de hoje.
Receberam
a medalha neste ano: Belela Herrera (ativista uruguaia dos Direitos Humanos);
Coletiva Resistência Lésbica da Maré (acolhimento Antimanicomial para lésbicas
- cis e trans – de favelas); Geraldo Azevedo (cantor, violonista e compositor –
preso e torturado pela ditadura); Maria das Graças Nacort (Associação de Mães e
Familiares de Vítimas de Violência do Estado/ES); Marilza da Silva (liderança
indígena do Espírito Santo, presa e torturada pela ditadura na Fazenda Guarani,
Resplendor/MG); Milton Barbosa (fundador do Movimento Negro Unificado); Sabino
Alves (trabalhador do campo desaparecido durante
a Guerrilha do Araguaia); Walter de Souza Ribeiro (desaparecido durante a ditadura).
São
várias as entidades parceiras da Medalha Chico Mendes de Resistência:
Associação de Docentes da UERJ (ASDUERJ); Associação de Docentes da
Universidade Federal Fluminense (ADUFF); Conselho Regional de Psicologia do Rio
de Janeiro (CRP-RJ); Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania –
BH/MG; Justiça Global; Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência
(RJ); Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (MJDH-RS);
Partido Comunista Brasileiro (PCB); Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Interlocução
Sociopopular da OAB-RJ; Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
(CDDH-Petrópolis/RJ); Centro de Justiça e Direito Internacional (CEJIL). Todas
elas estavam presentes e entregaram as medalhas aos homenageados. Estavam
presentes também trabalhadoras/es, estudantes e militantes de dezenas de
movimentos sociais. No final, Geraldo Azevedo cantou para todes/as/os.
A
Medalha Chico Mendes de Resistência deste ano foi ainda mais especial. Voltou a
ser presencial depois de três anos de edições virtuais por conta da pandemia de
COVID-19.
LONGA
VIDA À MEDALHA CHICO MENDES DE RESISTÊNCIA!
PELA VIDA, PELA PAZ, TORTURA NUNCA
MAIS!
Belo Horizonte, 7 de abril de 2023
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
domingo, 2 de abril de 2023
★ 35ª MEDALHA CHICO MENDES DE RESISTÊNCIA 2023 ★
No
dia 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes, conhecido sindicalista, militante das
causas populares no campo, das lutas pela preservação das florestas e do meio
ambiente, foi assassinado.
Em
31 de março de 1989, o exército prestou homenagens a torturadores agentes da
ditadura. Eles receberam a mais alta comenda desta arma, a Medalha do Pacificador. A solenidade foi realizada no antigo
DOI-CODI/RJ, conhecido centro de torturas, localizado no quartel da Polícia do
Exército do Rio de Janeiro. Em repúdio a este absurdo o Grupo Tortura Nunca
Mais/RJ criou a sua própria medalha para homenagear pessoas e entidades que
tenham participado na luta contra a ditatura, na luta contra a tortura, nas
lutas de resistência, na defesa dos Direitos Humanos, dos Povos Indígenas e do
Povo Negro.
Com
a Medalha Chico Mendes de Resistência,
o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ homenageia pessoas e entidades nacionais ou
internacionais, por suas lutas na defesa do direito à vida, por uma sociedade
plural, fraterna e sem torturas, reafirmando sua dignidade e sua memória. Vem
sendo cumprida desde 1989, anualmente, no dia 1º de abril, em repúdio ao golpe
de 1964, ou em data próxima.
Em
abril de 1995, Dona Helena Greco, referência da luta pelos Direitos Humanos, recebeu
a Medalha Chico Mendes de Resistência.
Muitas
entidades de Direitos Humanos participam da escolha das/os homenageadas/os. Neste
ano, no dia 03 de abril de 2023, acontece na Capela Ecumênica da UERJ, às 18:00
horas.
PELA
VIDA, PELA PAZ, TORTURA NUNCA MAIS!
Belo Horizonte, 02 de abril de 2023
Instituto Helena Greco de Direitos
Humanos e Cidadania - BH/MG
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.
sábado, 1 de abril de 2023
1º DE ABRIL DE 2023: 59 ANOS DO GOLPE. DITADURA NUNCA MAIS!
O
dia 1º de abril marca os 59 anos do golpe militar de 1964. Este instaurou no
Brasil o Estado de Segurança Nacional - uma ditadura que durou 21 anos
(1964-1985). A ela seguiram-se 33 anos de transição pactuada e sem ruptura (1985-2018),
controlada pelos militares. Tudo isto acumulou forças para o golpe de 2016 e
desembocou no governo Bolsonaro (2019-2022), entusiasta da ditadura, de torturadores
e milicianos. Governo genocida que levou às máximas consequências o projeto consolidado
pela ditadura militar: a modernização fascista do capitalismo. Esta foi viabilizada
pelo mais exacerbado terrorismo de Estado, instrumento essencial do
totalitarismo de mercado – o neoliberalismo
em vigor.
A ditadura
militar brasileira é a segunda mais longeva de todas as que se instalaram na
América Latina nos anos 1950, 1960 e 1970 – a primeira é a do Paraguai
(1954-1989). Todas elas se espelharam no Brasil para a construção dos
respectivos aparatos repressivos. Atuaram em conjunto no continente na
famigerada Operação Condor. No
Brasil, as Forças Armadas articularam organicamente as polícias civis e
militares, a comunidade de informações
e grupos de extermínio (as atuais milícias) para trucidar opositores. O
empresariado, os latifundiários e a imprensa corporativa participaram
ativamente da repressão. Tortura, extermínio, desaparecimento forçado,
assassinato da memória, censura, ódio mortal aos Direitos Humanos se tornaram
políticas de Estado.
Em
todas as ditaduras latino-americanas houve forte protagonismo do imperialismo
estadunidense. Como no Brasil, todas adotaram a Doutrina de Segurança Nacional,
que preconiza o imperativo da eliminação dos inimigos internos, da guerra
ideológica permanente contra o comunismo. São inimigos internos a classe trabalhadora, o movimento estudantil, as
pessoas mobilizadas (organizadas ou não, armadas ou não) na luta contra o
regime. São inimigos internos também as classes
perigosas e torturáveis de sempre: a população pobre e periférica, as
pessoas consideradas pela ditadura subversivas,
marginais, supérfluas, diferentes. Todas e todos, afinal, que pudessem
colocar em risco projeto burguês de desenvolvimento
e segurança e a integridade do lema Deus,
Pátria e Família.
A política
indigenista da ditadura foi ecocida e genocida. Houve devastação da Amazônia,
como exigia o tal desenvolvimento e
segurança. Mais de dez mil indígenas foram exterminadas/os. Foram criados
campos de concentração para os Povos Indígenas como o Reformatório Krenak (Resplendor/MG)
e a Fazenda Guarani (Carmésia/MG), controlados pela FUNAI e pela polícia
militar de Minas Gerais. Foi genocida a política econômica de arrocho,
desemprego e fome. A repressão nas favelas e periferias atingiu sobretudo o
Povo Negro. Houve profusão de cemitérios clandestinos, locais de desova e valas
comuns – a do Cemitério D. Bosco (Perus, São Paulo) é a mais conhecida. Nela
foram encontradas 1043 ossadas, ainda não identificadas. Aí estão opositores da
ditadura mortos sob tortura e corpos periféricos chacinados pela polícia e
pelos esquadrões da morte. Há também muitas crianças certamente também vítimas
da repressão e do negacionismo da ditadura em relação à epidemia de meningite no
início dos anos 1970. As crianças foram alvo constante da ditadura. A operação
clandestina conhecida como Operação
Camanducaia sintetiza este horror: em 1974, 93 crianças e adolescentes
acusados de pequenos delitos foram sequestrados e presos por policiais de São Paulo.
Perto de Camanducaia/MG foram despidos, espancados e jogados em um barranco.
Apenas 41 deles conseguiram chegar na cidade. Estavam nus, torturados e com
fome. Os outros 52 continuam desaparecidos.
Desde
a saída do último general-ditador, há quase quatro décadas, o legado da
ditadura continua a nos cercar por todos os lados. Nenhuma sociedade escapa
incólume a 21 anos de ditadura militar. Muito menos esta, que tem mais de 500
anos de opressão sobre os Povos Originários e mais de 350 anos de escravização
do Povo Negro. Houve alguns avanços pontuais. Todos conquistados a duras penas
pelos movimentos sociais, pelos familiares dos mortos e desaparecidos políticos, pelo movimento de Anistia Ampla, Geral e
Irrestrita, pela luta por Direitos Humanos e por Memória, Verdade e Justiça.
O
contencioso principal, no entanto, sequer foi tangenciado. Os arquivos da
repressão continuam hermeticamente fechados. O aparato repressivo é de
dificílimo desmonte, assim como o ordenamento jurídico que o sustenta: não é
possível desinventar tal coisa. As Forças Armadas, a ABIN (sucedânea do SNI),
as polícias civis, militares e federais se mantêm golpistas e saudosistas da
ditadura militar. A Doutrina de Segurança Nacional permanece arraigada nas suas
entranhas.
Não
houve resgate da verdade histórica para a sociedade. As circunstâncias das
mortes e desaparecimentos não foram esclarecidas.
Os familiares não puderam enterrar seus mortos. Não houve responsabilização dos
agentes da ditadura, os quais cometeram crimes contra a humanidade.
Por
tudo isto, nossa lista de mortos e desaparecidos
políticos é drasticamente lacunar. Dela não constam os milhares de
indígenas e negros chacinados. Não constam tampouco os 52 garotos desaparecidos
em Camanducaia. O mesmo acontece com milhares de trabalhadores do campo mortos
pelos latifundiários. Permanece o processo de assassinato da memória. Permanece
a invisibilização dos crimes da ditadura. Pior ainda: todos estes crimes contra
a humanidade cresceram em escala depois da ditadura, assim como sua
invisibilização. Vivemos no país das chacinas periódicas, onde o excludente de ilicitude (direito de
matar) é praticado diuturmamente pela
polícia militar, a mais letal do planeta. Permanece a guerra ideológica, a guerra generalizada contra os pobres e contra os
movimentos populares. Permanece a política econômica de arrocho, desemprego e
fome. Vivemos no país do racismo estrutural e do genocídio institucional do
Povo Negro e dos Povos Indígenas. País que é também campeão mundial em transfeminicídio
e tem a terceira maior população carcerária – a maioria composta de periféricas/os,
pobres e negras/os. O Estado brasileiro sistematicamente bate recordes mundiais
em violações dos Direitos Humanos.
O
pesadelo dos quatro anos do governo genocida terminou, mas o fascismo permanece
como realidade. Para além da canhestra tentativa de golpe do 8 de janeiro, o
congresso nacional, as assembleias legislativas, as câmaras de vereadores, os
governos estaduais e municipais estão eivados de fascistas e ultradireitistas. O
bolsonarista Romeu Zema (partido Novo) em Minas Gerais é exemplo gritante. Ao
que tudo indica, os milhares de militares que passaram a ocupar postos-chaves no
aparelho de Estado – nomeados por Bolsonaro - ainda não foram de lá removidos.
Em
março, completaram-se 55 anos da morte de Edson Luís de Lima Souto (28/03/1968)
e 50 anos das mortes de Arnaldo Cardoso Rocha (15/03/1973) e Alexandre
Vannucchi Leme (17/03/1973) - assassinados pela ditadura. Em 2023 também
completam 50 anos as execuções pela ditadura dos guerrilheiros do Araguaia
André Grabois (14/10/1973), Maurício Grabois (25/10/1973), Gilberto Olimpio
Maria (25/12/1973) e Guilherme Gomes Lund (25/12/2973). As mortes de Marielle
Franco e Anderson Gomes (14/03/2018), executados pelo sistema, fizeram 5 anos. Nosso
tributo a estas/es companheiras/os, a
todas/os que tombaram na luta contra a ditadura e a todas as vítimas dos crimes
contra a humanidade, de ontem e de hoje. Para honrar a memória de todas/os reafirmamos
a luta permanente pelos Direitos Humanos, contra o terrorismo de Estado, pelo
desmantelamento do aparato repressivo.
GOLPE, DITADURA, TORTURA NUNCA MAIS!
PELO DIREITO À HISTÓRIA, À MEMÓRIA, À VERDADE
E À JUSTIÇA!
FASCISTAS NÃO PASSARÃO!
Belo Horizonte, 1º de abril de 2023
Instituto Helena Greco de Direitos
Humanos e Cidadania - BH/MG
★ institutohelenagreco@gmail.com ★ Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.






















.png)












