"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

R. Hermilo Alves, 290, Santa Tereza, CEP: 31010-070 - Belo Horizonte/MG (Ônibus: 9103, 9210 - Metrô: Estação Sta. Efigênia). Contato: institutohelenagreco@gmail.com

Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.

terça-feira, 1 de abril de 2025

61 ANOS DO GOLPE DE 1964: ABAIXO A DITADURA!

61 ANOS DO GOLPE DE 1964: ABAIXO A DITADURA!

O 1º de abril é dia de luta e de luto em repúdio à segunda mais longeva ditadura militar (1964- 1985) da chamada América do Sul. Há quarenta anos (15/03/1985), o último general-ditador deixou o poder. Seguiu-se, então, longa transição conservadora pactuada, continuísta e sem ruptura (1985-2025). Esta firmou inquebrantável pacto da burguesia com as forças armadas. Tal pacto manteve inimputáveis os crimes contra a humanidade adotados pela ditadura como política de Estado: censura, perseguições, cassações, sequestros, prisões, torturas, estupros, extermínio, esquartejamento de corpos, ocultação de cadáveres de opositores. Pelo menos 50 mil pessoas passaram por estas engrenagens do terrorismo de Estado. Muitas não sobreviveram.

Nesta transição ainda em curso houve certamente avanços pontuais no que diz respeito ao direito à Memória, à Verdade e à Justiça. Avanços duramente conquistados pelo movimento de Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, pelos familiares dos mortos e desaparecidos políticos, pelos movimentos sociais, pela luta combativa por Direitos Humanos. O contencioso principal da ditadura, no entanto, sequer foi tangenciado. Os arquivos da repressão continuam inacessíveis. Não foi resolvida a questão dos desaparecidos: os familiares não enterraram seus mortos. A sociedade não se apropriou da verdade histórica sobre estas mortes e desaparecimentos.  

A partir do acúmulo dos movimentos por Memória, Verdade e Justiça, em 2014 a Comissão Nacional da Verdade (CNV) consolidou uma lista de 434 mortos e desaparecidos – 79 são de Minas Gerais. Esta lista é lacunar: não inclui os milhares de indígenas, quilombolas e trabalhadores do campo trucidados em nome da segurança e do desenvolvimento. Não inclui os milhares de indesejáveis e neurodivergentes mortos nos campos de extermínio dos hospícios e dos manicômios judiciários, com destaque para o Hospital Colônia de Barbacena/MG – negras e negros na maioria. Muitos desses hospícios receberam também presos políticos. Houve dois campos de concentração para Povos Indígenas em Minas Gerais: o Reformatório Krenak (Resplendor/MG) e a Fazenda Guarani (Carmésia/MG), parceria da Polícia Militar/MG com a FUNAI.  

A lista de mortos e desaparecidos não inclui tampouco os milhares de prisioneiros correcionais e moradores de favelas e periferias – também maioria de negros – executados pela repressão policial e por grupos de extermínio. Estes, juntamente com outros grupos parapoliciais e paramilitares, eram organicamente vinculados ao aparato repressivo da ditadura. Aparato repressivo que continua montado, assim como seu arcabouço legislativo/jurídico. Não houve responsabilização dos agentes da ditadura, dos empresários e dos latifundiários que participaram da repressão. A tortura, o extermínio e a estratégia do esquecimento continuam sistêmicos. A Doutrina de Segurança Nacional segue arraigada no aparelho repressivo.

O Brasil é um dos campeões mundiais em concentração de riqueza e desigualdade social. Tem a polícia mais letal do planeta. É o país da guerra generalizada contra os pobres, do encarceramento em massa, das chacinas periódicas. Tem o maior número de casos de trabalho escravizado. É o país do genocídio institucional do Povo Negro e dos Povos Indígenas. Figura, assim, como um dos campeões mundiais em violações de Direitos Humanos.

Este quadro de normalização defeituosa da mal chamada redemocratização do país abriu espaço para o governo fascista e genocida de Bolsonaro (2019-2022).  Seus paradigmas foram a ditadura militar, torturadores e milicianos sanguinários. Seu projeto é o mesmo da ditadura, consolidado na longa transição inconclusa: a modernização fascista do capitalismo. Trata-se do totalitarismo de mercado: o ultraneoliberalismo em vigor - viabilizado pelo mais exacerbado terrorismo de Estado.

O governo do genocida terminou, mas o fascismo continua a nos cercar de todos os lados. Na semana passada Bolsonaro, seus asseclas e seus generais foram tornados réus pelo Supremo Tribunal Federal. Este evento escancarou a capilaridade do mais escabroso golpismo no aparelho de Estado e nas forças armadas. O mais veemente repúdio e a exigência de responsabilização de todos os envolvidos nesta infâmia constituem imperativo para a luta por Memória, Verdade e Justiça.  

Para além desta tentativa de golpe desmascarada, no entanto, não podemos perder de vista que fascistas, fundamentalistas e ultradireitistas têm hegemonia nos poderes executivos e legislativos em todo o país. O poder judiciário aqui é também historicamente reacionário e antipovo. A mídia corporativa é a correia de transmissão do projeto de fascistização da sociedade. E ainda: não há evidências de que os milhares de militares nomeados por Bolsonaro tenham sido removidos de postos-chaves do aparelho de Estado.

Para honrar a memória e o legado das companheiras e companheiros que tombaram na luta contra a ditadura e de todas as vítimas de crimes contra a humanidade reafirmamos a luta pelos Direitos Humanos como negação resoluta de todas as formas de exploração e opressão. Reiteramos o caráter permanente da luta por Memória, Verdade e Justiça e da luta contra o terrorismo de Estado e do capital.

·        DITADURA NUNCA MAIS!

·        PELA RESOLUÇÃO DA QUESTÃO DOS MORTOS E DESAPARECIDOS!

· NEM ESQUECIMENTO, NEM CONCILIAÇÃO: RESPONSABILIZAÇÃO DOS GOLPISTAS, TORTURADORES E ASSASSINOS DE OPOSITORES DA DITADURA E DAQUELES QUE COMETEM CRIMES CONTRA A HUMANIDADE NOS DIAS DE HOJE!

·        FASCISTAS NÃO PASSARÃO!

Belo Horizonte, 1º de abril de 2025

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - BH/MG