"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

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Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.

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segunda-feira, 8 de março de 2021

8 DE MARÇO DE 2021 - DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES - LUTA FEMINISTA, ANTIPATRIARCAL, ANTIRRACISTA, ANTIFASCISTA E ANTICAPITALISTA!

        O Brasil adentrou o ano de 2021 como epicentro da pandemia de COVID-19: é o país mais mortífero do planeta, o que tem o maior número de casos para cada 100 mil habitantes, o segundo maior número absoluto de contaminadas/os e de óbitos e o que atingiu a maior velocidade de contágio. É este o saldo da estratégia de extermínio do governo Bolsonaro/general Mourão e seu hipermilitarizado Ministério da Saúde do general Pazuello. Ao atingir o pico de 1800 mortes diárias, Bolsonaro redobra a virulência do discurso de escárnio contra mais de um quarto de milhão de famílias em luto. Estas não tiveram sequer o direito de enterrar com dignidade seus entes queridos. Não há vacina, não há possibilidade de emprego, nem qualquer tipo de auxílio emergencial. O sistema sanitário está colapsado e as pessoas morrem em casa e na porta dos hospitais. Em janeiro dezenas foram chacinadas por sufocamento no Amazonas.

        A necropolítica, essência do projeto de poder bolsonarista – no qual todas as políticas públicas têm caráter eugenista, higienista e neomalthusiano – tornou-se perigosa também para o mundo. Trata-se de crime contra a humanidade de um governo que tem como plataforma o genocídio institucional. Seu paradigma é a ditadura militar sangrenta (1964-1985) e seus heróis são torturadores contumazes e milicianos assassinos.

        Em 2020-2021, o país tem batido diuturnamente os recordes mundiais negativos que detém e se consolida no topo do ranking das graves violações dos Direitos Humanos: desigualdade social; concentração de renda; lucratividade do sistema financeiro, do agronegócio, das empreiteiras e mineradoras; letalidade policial; número de casos de tortura e desaparecimentos forçados; racismo estrutural; genocídio sistêmico do Povo Negro e dos Povos Originários; destruição irreversível do meio ambiente; esbulho e espoliação institucionais dos territórios tradicionais de indígenas e quilombolas; aumento exponencial da população carcerária (terceira do mundo), sobretudo da feminina; níveis de desemprego, carestia, inflação e miserabilidade; fome endêmica. O Brasil é um dos campeões mundiais em feminicídios, estupros e violência contra a população LGBTQIA+. É primeiro do mundo em transfeminicídio. É autoevidente a misoginia da flexibilização institucional da compra, posse e porte de armas em um país com este prontuário. É igualmente autoevidente o caráter fascista da excludência de ilicitude/direito de matar no país cuja polícia é a mais violenta do mundo – aquela que de cada vez mais mata preto e pobre todo dia.

        A combinação das forças que compõem o governo – extrema direita de todos os matizes, empresários e financistas adoradores do ultraliberalismo, fundamentalismo evangélico e Forças Armadas - leva ao paroxismo a violência contra as mulheres no triplo recorte da opressão de gênero, de raça e de classe. Aprofunda-se processo galopante de fascistização do aparato repressivo/jurídico/legal/legislativo. As bancadas boi/bala/bíblia/jaula - maioria que sustenta o governo Bolsonaro/general Mourão no congresso - completam o quadro. O poder está nas mãos de machos reacionários, brancos, ricos, racistas, machistas, misóginos, heteronormativos. Todos têm ojeriza mortal aos Direitos Humanos, à diversidade, à classe trabalhadora, aos movimentos sociais. Não por acaso, o presidente da Câmara Federal Arthur Lira é praticante recorrente de violência doméstica, inclusive armada. Tem processos no Supremo Tribunal Federal e no Juizado de Violência Doméstica de Brasília.  Não por acaso a Assembleia Legislativa de São Paulo livra a cara de um deputado que assediou e apalpou a colega em plena sessão ordinária, com transmissão ao vivo e em cores.

        São os corpos femininos os mais atingidos pelo totalitarismo de mercado implementado por Paulo Guedes. Este potencializou a destruição dos direitos conquistados pela classe trabalhadora e pelos movimentos sociais ao longo de décadas. As mulheres constituem a maioria que ocupa os empregos terceirizados/precarizados. Constituem também a maioria dos empregos domésticos e do setor de serviços, os mais atingidos pelo desemprego e pelo arrocho salarial. O desmonte e o congelamento dos gastos em saúde e educação da Emenda Constitucional 95 (aquela do fim do mundo), o fim da aposentadoria, a porteira aberta para a superexploração do trabalho trazem a miséria absoluta que fatalmente atinge muito mais as mulheres. São ainda as mulheres aquelas que mais sofrem os despejos, remoções e devastações ambientais provocados pela reengenharia urbana excludente e segregadora praticada pelos governos, pela especulação, pelas empreiteiras e mineradoras.

        O moralismo e o obscurantismo fundamentalistas característicos da escalada fascista em andamento atingem o âmago do que constitui a própria razão de ser do feminismo: a luta contra a dominação da sociedade hegemônica patriarcal machista, racista, colonialista e patrimonialista. Estamos falando do direito ao aborto; dos direitos sexuais e reprodutivos como opção, não como imposição; do direito ao parto humanizado; do livre exercício da sexualidade; do combate à prisão do trabalho doméstico alienante, invisibilizado e desqualificado pelo sistema como improdutivo. Estamos falando da denúncia das instituições lar e família como garantidoras da manutenção e reprodução do patriarcalismo e como as maiores perpetradoras de estupros, feminicídios, pedofilia e violência doméstica.

        A mencionada escalada fascista é liderada por Bolsonaro e Damares Alves, sua dita ministra da mulher, da família e dos direitos humanos (?). O direito ao aborto livre, seguro e gratuito - questão de principio histórica, imprescritível e inegociável da luta pela autoemancipação feminina – continua sendo anátema no Brasil. Estamos no estágio medieval da criminalização do aborto. O caráter hediondo da cruzada anti-aborto adotada por Bolsonaro e Damares Alves como método de governo se escancarou em agosto de 2020, a partir do caso aterrador da menina capixaba de 10 anos que engravidou depois de passar metade de sua vida a ser estuprada por um tio. Pois ela foi, de novo, violada por Bolsonaro e Damares. Estes não só tentaram impedir o aborto previsto em lei (risco de vida para a mãe e resultado de estupro), como vazaram o nome da criança e do hospital onde seria feito o procedimento. Acossada pelas hordas bolsonaristas, ela teve que viajar clandestinamente para Recife onde finalmente foi realizado o aborto em um hospital referência, cujos profissionais também sofreram represálias. Desde então, Bolsonaro/Damares Alves publicaram uma profusão de medidas, portarias, recomendações que reforçam a criminalização do aborto e a exiguidade dos casos permitidos. Bem na linha do reacionarismo bolsonarista, o próximo passo é destruir o PNDH3 (Programa Nacional de Direitos Humanos) articulado em 2008 e publicado em 2009. Na mesma linha, podemos enumerar aqui uma sequência de iniciativas infames do sistema como os estatutos da família e do nascituro, os 52 projetos contra o aborto que tramitam no congresso, a lei de alienação parental, a abjeta Escola Sem Partido e sua estridente rejeição às palavras gênero e sexualidade.

        No dia 14 de março, a execução de Marielle Franco e Anderson Gomes completa três anos. Até agora não houve esclarecimento circunstanciado. Ninguém foi responsabilizado. Trata-se também de caso emblemático: Marielle Franco é mulher negra, periférica, lésbica e defensora dos Direitos Humanos. Representa totalmente os alvos principais do genocídio institucional e do racismo estrutural. A sua execução desvelou também mais uma peculiaridade sinistra do governo Bolsonaro/general Mourão: para além da promiscuidade da família Bolsonaro com milicianos assassinos, fica patente a presença orgânica das milícias no Palácio do Planalto. Tanto quanto os militares, os milicianos estão no poder.

        Para concluir: onde buscar o positivo em meio a tanta negatividade e iniquidade? O positivo é a própria luta, a negação resoluta da banalização do horror. Esta luta é contra-hegemônica, permanente e estrutural. A história do 8 de Março nos ensina que a luta feminista – assim como a luta pelos Direitos Humanos - visa a transformação radical da sociedade na perspectiva classista. É, por definição, Antipatriarcal, Antirracista, Antifascista, Anticapitalista e Decolonial. Retomemos as energias rebeldes e revolucionárias das mulheres que, há 150 anos, construíram a Comuna de Paris e das mulheres que, há 85 anos, combateram na Revolução Espanhola. Recuperemos as lutas autônomas e emancipatórias das indígenas e das zapatistas do México e a radicalidade radiante das guerrilheiras curdas de Rojava. Saudemos fortemente as feministas argentinas que, desde abaixo, acabaram de conquistar o direito ao aborto livre, seguro e gratuito. Saudemos fortemente as companheiras chilenas - com destaque para as indígenas Mapuche - que estão à frente do levante  contra o neoliberalismo. São também as mulheres que protagonizam agora a luta contra o golpe militar em Mianmar e as manifestações que já provocaram a queda do Ministro da Saúde no Paraguai.

        Saudemos fortemente as companheiras trabalhadoras – pobres, negras, indígenas, quilombolas, lésbicas e trans – que se organizam na luta cotidiana tenaz contra o terrorismo de Estado e do capital. Nosso reconhecimento às trabalhadoras da saúde, as quais estão na ponta da linha de frente no enfrentamento da COVID-19. Nossa solidariedade às mais de 265 mil famílias que choram a perda dos seus entes queridos para a pandemia e para a necropolítica do governo Bolsonaro/Mourão.

 

Fora o governo Bolsonaro/Mourão! Pelo fim do genocídio!

 

Vacinação imediata para todas/os!

 

Auxílio emergencial e renda básica universal já!

 

Direito ao aborto livre, seguro e gratuito!

 

Todo apoio às trabalhadoras da saúde!

 

Todo apoio às trabalhadoras do campo e da cidade!

 

Todo apoio às indígenas e quilombolas!

 

Todo apoio às moradoras de ocupações, vilas, favelas e periferias!

 

Machistas, misóginos, racistas, fascistas: NÃO PASSARÃO!

 

Belo Horizonte, 08 de março de 2021

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania

domingo, 12 de julho de 2020

NOTA:

SEMPRE NA LUTA ANTIRRACISTA, ANTIFASCISTA E ANTICAPITALISTA!
        O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania vem a público reiterar total apoio e adesão aos atos e lutas antirracistas, antifascistas e anticapitalistas. Reiteramos também total apoio e adesão às manifestações combativas anti-governo Bolsonaro/Mourão/Guedes/militares. Ao longo de dezoito meses, a plataforma que o elegeu se tornou método de governo ponto por ponto. Conquistas históricas da classe trabalhadora são ainda mais ferozmente aniquiladas. O desmonte da educação e da saúde públicas é intensificado. Aprofunda-se a criminalização dos movimentos sociais. O racismo e o segregacionismo estruturais são exacerbados. O encarceramento em massa e o genocídio institucional do Povo Negro e dos Povos Indígenas se consolidam. O esbulho de seus territórios ancestrais e a destruição do ecossistema são levados a níveis estratosféricos. Patriarcalismo, misoginia, antifeminismo, machismo, LGBTQIA+fobia alçados a políticas públicas. Assim como a aversão à diversidade, ao dissenso, ao conhecimento, à cultura, à ciência.
        Os Direitos Humanos estão entre os alvos principais da necropolítica em andamento. Nela os porões da repressão, a tortura, o extermínio e o negacionismo histórico ocupam lugar de honra, a saber: o discurso armamentista histérico; a implementação na prática da excludência de ilicitude (direito de matar para as forças de repressão); a tentativa de restauração do sigilo eterno dos arquivos da repressão; a retomada nas casernas das ordens do dia em louvação ao golpe de 1964; o aparelhamento para o esvaziamento da Comissão de Anistia e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos; a anulação da declaração de anistia de 295 perseguidos pela ditadura; o desmonte por decreto do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura; a tentativa de destruição das ações afirmativas conquistadas, como as cotas para negras/os e indígenas nas universidades. Recrudesce o incremento do aparato punitivo repressivo/jurídico/legislativo. Jornalistas, chargistas e opositores do governo têm sido enquadrados na Lei de Segurança Nacional, instrumento draconiano da ditadura militar (1964-1985) contra o qual lutamos há décadas. Há também investidas ferozes contra os avanços da luta antimanicomial visando a remanicomialização da sociedade.  
         O componente principal do projeto de poder bolsonarista é a militarização do sistema. Como na ditadura, também no Brasil atual o governo é dos militares. O famigerado golpe, portanto, já está em curso. Quase três mil oficiais cedidos pelas forças armadas detêm os cargos estratégicos do executivo federal – são 25 nos principais postos do Ministério da Saúde.  Onze dos 23 ministros são generais. Todos os ministros palacianos são militares. São todos saudosistas do AI-5, da Doutrina de Segurança Nacional, da ditadura militar e de seus porões. O vice-presidente, general Mourão, reproduz fielmente as barbaridades de Bolsonaro no jargão canhestro dos quartéis. Todos estes militares – sobretudo aqueles da turma do Haiti, os mais próximos a Bolsonaro - têm larga experiência na doutrina da contra insurgência (ou doutrina da pacificação) cujo objetivo é combater as forças oponentes, os inimigos internos: as/os indesejáveis, as classes perigosas, as/os subversivos, as/os diferentes, os movimentos sociais. Ela foi implementada pelo comando brasileiro das forças de estabilização da ONU no Haiti (2004 a 2017), as quais deixaram longo rastro de sangue nas comunidades, vilas e favelas daquele país. O general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) é o responsável direto pelo Massacre de Cité Soleil (Port au Prince, julho de 2005), o que causou sua retirada do comando da missão de ocupação da ONU no Haiti. Foi também ele que cunhou a infame expressão: direitos humanos só para humanos direitos. Do Haiti, a doutrina da pacificação veio para o Brasil. Tem sido implementada nas UPPS; nas ocupações policiais e militares dos morros, vilas e favelas; nas operações de Garantia da Lei e da Ordem; na segurança dos grandes eventos esportivos; nas intervenções federais; nas chacinas cotidianas. O chefe da Casa Civil (?), general Braga Netto, foi useiro e vezeiro desta lógica do confronto, da guerra e do extermínio quando comandou a intervenção federal no Rio de Janeiro (fevereiro a dezembro de 2018).  Houve aumento exponencial da letalidade da polícia – aquela que mais mata no planeta - e nenhum avanço das investigações da execução de Marielle e Anderson (março 2018).  Saldo geral deste governo dos militares: o país avança drasticamente no ranking mundial das gravíssimas violações dos Direitos Humanos.
         Há ainda mais uma peculiaridade abjeta: a presença orgânica das milícias no governo. Tanto quanto os torturadores da ditadura, milicianos genocidas são considerados heróis nacionais pela família Bolsonaro. Entre eles Ronnie Lessa, Adriano da Nóbrega e Fabricio Queiroz. Os dois primeiros participaram diretamente da execução de Marielle Franco e Anderson – Ronnie Lessa foi um dos seus executores. O último é o principal elo de ligação com as milícias. O miliciano escritório do crime está tão presente no Palácio do Planalto quanto o gabinete do ódio, o qual tornou o esquema das fake news incontornável política de Estado.  Assim, o crime organizado reforça a mentira organizada.
        Os outros componentes deste projeto de poder são o ultraliberalismo e o fundamentalismo evangélico mais tacanho – obscurantismo moral, conservadorismo e totalitarismo de mercado se completam e se retroalimentam. É o projeto burguês de dominação operando no modo fascista. Sua estratégia é a defesa do capitalismo financeiro cuja reprodução depende do incremento do terrorismo de Estado. Este totalitarismo de mercado é levado ao paroxismo por Paulo Guedes, também ele saudosista da ditadura – e não só da brasileira, já que se orgulha de ter atuado diretamente com Pinochet no Chile. Seu foco é precarizar ao extremo as relações de trabalho e privatizar tudo o que tiver pela frente. A bola da vez é a privatização da água e do esgoto, o que tem deixado o mercado, os grandes conglomerados transnacionais e o Banco Mundial tão animados.
        É neste cenário que o genocídio institucional que assola o país se consolida e se reinventa.  Mais ainda na COVID-19. O Brasil é vice-campeão mundial em número de casos de contaminação e mortes por obra de ações governamentais neomalthusianas e eugenistas. Estas atingem sobretudo a população negra, indígena e pobre. Enquanto muitos milhares de vidas são ceifadas todos os dias – ao ritmo de uma morte por minuto – o dito presidente repete à exaustão: É só uma gripezinha. Muitos vão morrer? E daí? Paciência, faz parte. Não sou coveiro. Em seguida perpetra ofensivas intoleráveis que têm causado enorme consternação e revolta no país e no mundo. De um lado, passa a estimular seus bandos bolsonaristas a invadir hospitais para fustigar moribundos, doentes e profissionais do SUS, que estão a enfrentar a maior calamidade sanitária da história em condições adversas. De outro, veta a obrigação do uso de máscaras em presídios e impede a soltura emergencial por conta da pandemia. E mais ainda: interdita o fornecimento de água potável, assistência sanitária específica, leitos de UTIs, cestas básicas e equipamentos de proteção individual às comunidades indígenas e quilombolas. Ao mesmo tempo, libera geral a invasão de latifundiários, madeireiros, mineradoras e empreiteiras nestes territórios. É esta a missão precípua do Ministério do Meio Ambiente: deixar a boiada passar para concluir o extermínio do que restou da população indígena depois de mais de cinco séculos de opressão e 21 anos de ditadura militar.
        Quanto ao super-militarizado Ministério da Saúde, sua missão precípua tem sido manipular dados, sonegar os números da pandemia em plena escalada e impor protocolos nocivos absolutamente anticientíficos. Tal prática é mimetizada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que tem forjado narrativas anticientíficas e maquiado o número real de contaminações e mortes no Estado. Como se Minas Gerais fosse uma ilha de imunidade em meio à pandemia. Os números de contaminações e mortes só estão a crescer. Ele apoia incondicionalmente Bolsonaro e a política econômica de Guedes, recusando-se a manter o salário das/os trabalhadoras/es em Educação em dia e impondo uma reforma da Previdência. Esta, se aprovada, institucionalizará a precarização e a opressão existentes e levará trabalhadoras/es ativas/os e aposentadas/es do estado à pauperização.
        O negacionismo bolsonarista é semelhante à ocultação da epidemia de meningite que começou em 1970 com epicentro em São Paulo. A ditadura não queria que nada viesse a ofuscar a vitória do Brasil na copa do mundo, nem a euforia do pretenso milagre econômico brasileiro. Por isto houve milhares de mortes – também de maioria negra, indígena, periférica e pobre. Boa parte foi enterrada na vala clandestina do Cemitério D. Bosco (Perus, São Paulo), juntamente com aqueles que foram executados pela polícia, por esquadrões da morte e nos porões da ditadura. Até hoje não foram identificados. Só em 1977 a epidemia foi debelada.
        Prosseguindo no avanço das graves violações dos Direitos Humanos, tem sido exponencial o aumento das denúncias de casos de tortura, de desaparecimentos forçados, de chacinas. Trata-se de projeto de extermínio. O racismo estrutural é a sua essência: o Estado brasileiro mata pobres e pretas/os todos os dias. Em 2019 e 2020 a polícia – a mais letal do mundo, insistimos - tem sistematicamente batido o próprio recorde. Bolsonaro excluiu a violência policial do relatório oficial de violações dos Direitos Humanos. Trata-se do mesmo negacionismo genocida e eugenista praticado pelo governo em relação à COVID-19. Jovens e crianças negras têm sido os alvos preferenciais. Citamos os casos mais recentes: João Pedro Matos Pinto (14 anos, Rio de Janeiro), Ágatha Felix (8 anos, Rio de Janeiro), Kauê Ribeiro (12 anos, Rio de Janeiro), Kauã Rosário (11 anos, Rio de Janeiro), Kauan Peixoto (12 anos, Rio de Janeiro), Jenifer Cilene Gomes (11 anos, Rio de Janeiro), Luiz Antonio Ferreira (17 anos, Rio de Janeiro), Estêvão Freitas de Souza (17 anos, Rio de Janeiro), João Vitor da Rocha (18 anos, Rio de Janeiro), Luiz (18 anos, Rio de Janeiro), Guilherme da Silva Guedes (São Paulo, 15 anos), Mateus dos Santos Passos (22 anos, Salvador). Não esqueçamos o massacre de Paraisópolis/São Paulo (01/12/2019) quando nove adolescentes – cercados, acuados e envelopados em cerco da Polícia Militar - foram mortos pisoteados ou por asfixia. Tampouco a execução do músico Evaldo Rosa Santos e do catador Luciano Macedo por mais de oitenta tiros disparados pelo Exército brasileiro, no Rio de Janeiro (08/04/2019).
        Prestamos aqui nosso tributo a todas estas vítimas do genocídio institucional e a seus familiares. O desagravo só virá quando tal prática for erradicada. Os recentes levantes contra a execução de George Floyd em garrote vil pela polícia estadunidense, em Minneapolis – mostrada em tempo real para o mundo – evidenciou mais ainda que esta é uma questão inerente ao sistema capitalista. Este tem como elementos fundantes o colonialismo, o escravismo, o imperialismo, o extermínio, a tortura, a desigualdade social. Constitui, portanto, luta de caráter estrutural e planetário que aqui no Brasil é ainda mais urgente por trata-se do país campeoníssimo mundial em todos estes sinistros quesitos. Trata-se de uma luta antirracista, antifascista, anticapitalista - uma luta pelos Direitos Humanos.
Pelo fim do genocídio do Povo Negro!
Pelo fim do genocídio dos Povos Indígenas!
“Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser Antirracista!”
Pelo fim das execuções, dos fuzilamentos e da violência policial!
Pelo desmantelamento do aparato repressivo!
Abaixo o terrorismo de Estado e do capital!
No fascismo, no conservadorismo e no capitalismo não há Direitos Humanos!
“O fascismo não se discute, se destrói!”
Fora Bolsonaro, fora Mourão, fora Guedes e militares!
Racistas e fascistas: NÃO PASSARÃO!
Ditadura NUNCA MAIS!
Belo Horizonte, 12 de julho de 2020
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania