"Estamos aqui pela Humanidade!" Comuna de Paris, 1871 - "Sejamos realistas, exijamos o impossível." Maio de 68

R. Hermilo Alves, 290, Santa Tereza, CEP: 31010-070 - Belo Horizonte/MG (Ônibus: 9103, 9210 - Metrô: Estação Sta. Efigênia). Contato: institutohelenagreco@gmail.com

Reuniões abertas aos sábados, às 16H - militância desde 2003.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

CONVOCAÇÃO PARA O ATO EM DEFESA DOS 23

Não é só pelos 23, é por todas/os que lutam! Fora intervenção!
        Na plenária da campanha "Não é só pelos 23: é por todos e todas que lutam" foi decidido realizarmos uma grande manifestação na data e local deliberados. Escolhemos essa data por ser o dia do assassinato político da vereadora Marielle Franco, que ocorreu já sob a Intervenção militar no Rio de Janeiro. Além de sindicatos e movimentos populares a plenária contou também com a presença de Mães vítimas de violência do Estado.
        A campanha participará do ato dos professores da rede municipal no dia 08 de agosto e também faz um chamado para que todas e todos participem. Também foi deliberado o lançamento da campanha internacional de solidariedade aos 23 no dia 14. Que nossa campanha também sirva a denunciar as perseguições e prisões políticas que ocorrem em outros países. Link para compartilhamento:


Convocatória para o ato:
EM DEFESA DOS 23 E DO DIREITO DE MANIFESTAÇÃO, CONTRA A INTERVENÇÃO MILITAR, EM REPÚDIO AO ASSASSINATO POLÍTICO DE MARIELLE FRANCO, CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO POBRE E NEGRO NAS FAVELAS E NO CAMPO, TODOS E TODAS À CANDELÁRIA NO DIA 14 DE AGOSTO, ÀS 17H!
        A publicação da sentença que condena os 23 ativistas de 5 a 13 anos de prisão está inserida no contexto de grave crise econômica, política e social que o nosso país se encontra, em especial o Rio de Janeiro. A carestia de vida, o desemprego e o desmonte dos serviços públicos crescem em todo o país e grande parte da iniciativa empenhada pelos governos municipais, estaduais e federal tem caminhado em direção ao aprofundamento da militarização dos espaços e à retirada dos direitos historicamente conquistados e no Rio de Janeiro mais precisamente com a intervenção militar, apontando para uma escalada da repressão.
        O aumento das chacinas nas favelas, o controle do espaço urbano, os assassinatos e execuções de camponeses e indígenas que lutam pela terra são parte da mesma política de tentar coibir o direito de manifestação e livre organização também representada na sentença que condena os 23 ativistas. Cada vez mais militantes políticos e ativistas de direitos humanos têm sido perseguidos, criminalizados e mortos por lutar pelo justo, apontando a implementação de um estado de exceção que se organiza cada vez mais para reprimir e amedrontar a luta popular.
        A condenação dos 23 ativistas no Rio é o primeiro passo dado na tentativa de criminalizar a luta popular em todo o país. Em São Paulo 18 ativistas também respondem a inquéritos frutos das Jornadas de Junho. Lembramos também que Rafael Braga continua preso por portar pinho sol, os jovens Caio e Fábio respondem por um crime desproporcional em que de fato o que ocorreu foi um acidente em que os culpados são a polícia militar com a violência brutal perpetrada contra os manifestantes e a Rede Bandeirantes que colocou um trabalhador sem material de proteção numa zona de conflito. Dentro desse ataque os algozes do povo contam com a colaboração do monopólio da imprensa que em conluio com os demais poderes de Estado utiliza-se de estratégias discursivas e criação de lideranças fictícias para tentar criminalizar ativistas e movimentos que lutam em defesa dos direitos do povo.
        Deste modo, se o ataque é de classe, temos a responsabilidade em construir uma resposta política coletiva e efetiva, nas ruas, nas praças, nas escolas e nas universidades, para além das das paredes que nos cercam e algemas que tentam nos prender . Não nos curvaremos!
   Nesse sentido, convocamos todos/as ativistas, movimentos e organizações populares, sindicatos, entidades democráticas e intelectuais progressistas a participarem da primeira grande manifestação da campanha “Não é só pelos 23, é por todas e todos que lutam! Fora Intervenção!”, dia 14 de agosto, às 17h, na Candelária.
LUTAR NÃO É CRIME! EM DEFESA DO DIREITO DE MANIFESTAÇÃO!
PELO FIM DO GENOCÍDIO DO POVO POBRE E NEGRO DAS FAVELAS E NO CAMPO!
LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA!
NÃO AO JÚRI POPULAR DE CAIO E FÁBIO!

ABAIXO A INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO DE JANEIRO!
FASCISTAS, NÃO PASSARÃO!
- Texto e imagens reproduzidos/fonte:
- Informações e convocação para o ato:

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

NOTA DA COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS DE SOLIDARIEDADE AOS FAMILIARES DOS DESAPARECIDOS DA GUERRILHA DO ARAGUAIA

Desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia
Nota de solidariedade aos familiares dos desaparecidos
da Guerrilha do Araguaia
        A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos vem, por meio desta nota, manifestar seu repúdio ao jornalista Hugo Studart no que tange à publicação do livro “Borboletas e Lobisomens”, de sua autoria, que contém múltiplas mentiras e difamações. Com a publicação, o autor evidencia seu objetivo de reeditar a “teoria dos dois demônios”, em uma tentativa de igualar a violência dos militares que cometeram crimes contra a humanidade à ação dos guerrilheiros que lutaram contra a ditadura.
        A Guerrilha do Araguaia, desenvolvida no sudeste do Pará entre 1972 e 1975, constituiu-se em um movimento de resistência à ditadura militar. Caracterizada pelos conflitos fundiários, essa região assistiu à brutal violência exercida pelas Forças Armadas, utilizada em larga escala contra a população local. O terror e a intimidação instalados ganharam contornos especiais a partir da disseminação dos campos de concentração. Camponeses e indígenas foram aterrorizados com a prática generalizada da violência, sob a justificativa de se evitar “os efeitos multiplicadores” da guerrilha. De acordo com as investigações realizadas pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e o Ministério Público Federal (MPF), a maioria dos guerrilheiros foi sequestrada, torturada e executada por agentes do Estado. Os fatos que envolveram este extermínio foram censurados e estiveram ausentes dos noticiários da imprensa por um largo período.
        A presença de notórias zonas de silêncio acerca do ocorrido e a ausência de esforços sistemáticos para a circunscrição factual dos crimes da ditadura, com a decorrente punição dos responsáveis, levaram à condenação do Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), em 2010. De acordo com a Corte, o Brasil deve esclarecer esses crimes e responsabilizar criminalmente seus autores. As pressões decorrentes da condenação levaram o Brasil a criar a Comissão Nacional da Verdade (CNV) e a editar a Lei de Acesso à Informação, ampliando o debate público sobre o legado da ditadura. Ademais, a CNV publicou em seu relatório final os nomes de 377 torturadores, dentre os quais muitos atuaram no extermínio dos guerrilheiros do Araguaia.
        Na atualidade, os principais aspectos da sentença da OEA ainda não foram cumpridos, sendo vedado o acesso aos arquivos militares aos integrantes da CNV, bem como aos familiares dos mortos e desaparecidos políticos. A despeito desse panorama desolador para as famílias, esse senhor defendeu uma tese de doutorado na UnB sobre a Guerrilha do Araguaia, transformado no livro mencionado acima, no qual afirma que sete guerrilheiros desaparecidos durante a repressão ao referido movimento estariam vivos e teriam estabelecido acordos de “delação premiada” com militares do aparato repressivo. O autor, entretanto, não apresenta nenhuma prova que confirme tais fatos, além de não mencionar os verdadeiros nomes dos militares repressores, que se constituem na fonte do referido do livro.
        É digno de nota que, o autor do livro difama guerrilheiros com relatos imbuídos de misoginia e sexismo. Ele se refere à guerrilheira Áurea Elisa Pereira (1950-1974) – a qual teria sido presa com uma criança de colo e executada –, como alguém que se apaixonou pelo seu algoz e executor, transformando em ato de amor, o estupro que provavelmente foi perpetrado contra ela pelo agente do Estado. Nesse sentido, o relatório da CNV sublinhou que o estupro praticado contra militantes presos se transformou em prática corrente, conforme se pode ler abaixo:
“[...] Os registros da prática de violência sexual por agentes públicos indicam que ela ocorria de forma disseminada em praticamente toda a estrutura repressiva. Nos testemunhos analisados pelo grupo de trabalho “Ditadura e Gênero” são citados DEIC, DOI-Codi, DOPS, Base Aérea do Galeão, batalhões da Polícia do Exército, Casa da Morte (Petrópolis), Cenimar, Cisa, delegacias de polícia, Oban, hospitais militares, presídios e quartéis. [...] (cf. CNV, Relatório, cap. 10, item 37, p.421)”.
        O referido autor afirmou ainda que Criméia Alice Schmidt de Almeida, integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, teria feito acordo de “delação premiada” e entregue à repressão seu próprio companheiro e pai de seu filho, André Grabois. Com efeito, Criméia atuou como guerrilheira do Araguaia entre 1969 e 1972, tendo sido sequestrada por agentes do DOI-Codi/SP, grávida de 7 meses, ao lado de seus sobrinhos, Janaína e Edson Luís, no final daquele ano. Ela foi torturada antes e depois do nascimento de seu filho no Hospital do Exército, localizado na cidade de Brasília, em fevereiro de 1973. Em seu depoimento concedido à CNV, ela relata esta experiência-limite (cf. registrado em https://www.youtube.com/watch?v=BM04VC_fd00 ).
        Tão logo saiu do cárcere, a despeito das perseguições, Criméia foi trabalhar como auxiliar de enfermagem, dedicando-se a denunciar os crimes da ditadura e ao esclarecimento dos crimes de desaparecimento forçado, em particular daqueles ocorridos na região do Araguaia. Ademais, participou ativamente da campanha pela anistia aos perseguidos e presos políticos. Desde então, tornou-se uma das principais referências dos familiares e das demandas por “verdade e justiça” no país, além de ser copeticionaria da ação contra o Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Sua dignidade e dedicação jamais foram questionadas. Não por acaso, o autor sublinha que Crimeia foi a única guerrilheira sobrevivente a denunciar as torturas a que foi submetida.
        Diante da impossibilidade de justificar a atitude indefensável dos militares que torturaram, estupraram e executaram dissidentes, o mencionado jornalista tenta confundir as diligências e as lutas por “verdade e justiça”, conspurcando a memória e as ações das vítimas, em particular, dos protagonistas de conquistas no campo dos direitos humanos, tais como as sentenças internacionais que cobram do Estado brasileiro o esclarecimento dos desaparecimentos forçados e a punição dos autores dos crimes de lesa-humanidade, considerados, portanto, imprescritíveis.
        Agosto de 2018.
Pelo esclarecimento dos crimes da ditadura!
Pela punição dos responsáveis!
Pela abertura dos arquivos das Forças Armadas!

NOTA DO GRUPO TORTURA NUNCA MAIS/RJ DE REPÚDIO AO LIVRO DE HUGO STUART

Acervo GNTM/RJ - 8 de agosto de 2018
NOTA DENÚNCIA E CONVITE PARA O ESCRACHO
        O GRUPO TORTURA NUNCA MAIS-RJ vem veementemente repudiar a tese de doutorado de Hugo Studart Em algum lugar das selvas Amazônicas: as memórias dos guerrilheiros do Araguaia (1966-1974), que foi adaptada para livro sob o título Borboletas e Lobisomens: vidas, sonhos e mortes dos Guerrilheiros do Araguaia. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2018.
        O autor é filho do tenente-coronel-aviador Jonas Alves Corrêa que “era o de chefe da Seção de Operações do CISA em Brasília durante a repressão no Araguaia. A partir de 1968, passou a organizar as redes de informantes, treinou civis e militares em operações de inteligência. Era especialista em recrutar militantes das organizações de luta armada, para infiltrar agentes, principalmente na região Centro-Oeste.” (STUDART, 2018, pp. 628, 629)
        Esta tese de doutorado, baseada em relatos dos militares e dos camponeses que serviram de apoio a estes nas ações de extermínio das guerrilheiras e dos guerrilheiros, é recheada de insinuações misóginas, ofensivas e caluniosas. As guerrilheiras são apresentadas como mulheres frágeis, possivelmente delatoras, amantes dos seus algozes e incapazes de pensar criticamente o seu papel revolucionário no contexto histórico da Guerrilha do Araguaia.
        Relatos preconceituosos sobre a vida sexual dos guerrilheiros também estão presentes neste trabalho, afirma em seu livro que: “… havia um problema naquele grupo revolucionário. Eram quase sessenta homens jovens para dezoito mulheres, numa relação de três para uma”. (Idem, p.281)
        Outra de suas declarações, cuja comprovação baseia-se apenas nos relatos dos militares, não identificando os seus verdadeiros nomes, é a de que “(…) todos os guerrilheiros do Araguaia presos, absolutamente todos, prestaram algum tipo de informação aos militares”. (Idem, p. 463)
        O autor afirma, ainda, sem nenhuma comprovação, que sete destes guerrilheiros, desaparecidos há aproximadamente 45 anos, estão vivos. Teriam se arrependido e mudado de identidade. Este fato está causando imensa indignação e transtornos emocionais para os familiares que dedicam toda a sua vida na busca das circunstâncias das mortes e na identificação de seus entes queridos. Isto representa um novo golpe à memória destes militantes e de seus familiares.
        O GTNM-RJ que, desde a sua fundação, em 1985, sempre lutou pela memória, verdade e justiça, interroga: como uma tese com tantas incongruências encontra acolhida dentro do ambiente acadêmico? Espanta-nos o fato desta tese ter sido premiada na UnB e ter concorrido ao Prêmio Capes de Tese de História.
        Há tempos denunciamos este autor. Em nosso jornal (05 de agosto de 2009), sob título “FARSA HISTÓRICA?” já havíamos apontado que “em seu livro A Lei da Selva (Geração Editorial, 2006) – produto de sua dissertação de mestrado defendida, em 2005, também na UnB – deixa claro o acordo que fez para manter o anonimato dos militares que participaram diretamente dos crimes cometidos na região do Araguaia contra os guerrilheiros e a população local.
        Finalmente, nossa última denúncia refere-se aos agradecimentos contidos nesta tese de doutorado e reproduzidos no livro, em particular, a Nelson Jobim “que, na condição de ministro da Defesa, autorizou ao autor o acesso aos arquivos secretos do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) como também aos arquivos do Serviço de Inteligência Militar” (Idem, p. 8).
        Reafirmamos a nossa luta, de mais de três décadas, pela abertura de todos os arquivos da ditadura civil-militar, bem como a localização e a identificação dos corpos dos desaparecidos da Guerrilha do Araguaia e de todos os demais desaparecidos como está determinado na Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (2010).
        Continuamos a nossa luta contra o esquecimento, contra o sigilo, contra as insanas memórias construídas com a exclusiva finalidade de destruir a luta daqueles que queriam construir um país mais justo e igualitário.
Convidamos as nossas parceiras e parceiros, a todas e todos implicadas e implicados com a defesa dos Direitos Humanos em nosso país, a fazermos um escracho no lançamento do livro Borboletas e Lobisomens, no Rio de Janeiro, na frente da livraria Argumento, no dia 14 de agosto, terça-feira, às 18h. Rua Dias Ferreira, 417, no Leblon.

Para maiores informações:                             
Rio de Janeiro, 8 de agosto de 2018.
Pela Vida, Pela Paz
Tortura Nunca Mais!


- Texto reproduzido/Fonte:

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

II SEMINÁRIO EDUCAÇÃO E LUTA DE CLASSES


II Seminário Educação e Luta de classes:
NOVAS ESTRATÉGIAS DE LUTAS DOS TRABALHADORES
EM EDUCAÇÃO E PELA CONSTRUÇÃO DA GREVE DE OCUPAÇÃO

Data: 11 de Agosto de 2018
Horário: das 13hs às 18hs
Local: E.E. Machado de Assis
Rua Alberto Lázaro, 476 - centro - Vespasiano MG

Faça sua inscrição pelo link:

E-mail: seminariolutadeclasses@gmail.com

Realização e Organização:
Comando de Luta Classista dos Trabalhadores em Educação
Sind-Ute - Subsede Vespasiano/São José da Lapa - MG

        A luta de classes é a força motriz da História e foi dessa maneira que mais uma vez o ano de 2018 se iniciou para todos os trabalhadores em educação. Travamos batalhas homéricas para defender aquilo que já havíamos conquistado. A conjuntura se apresentou com diversos desafios políticos para as categorias em Minas Gerais, adiamento do ano letivo por parte do executivo, atraso sistemático dos salários dos servidores públicos da educação e a insistente precarização das condições de trabalho, bem como de toda a estrutura da educação. 

        E é nesse cenário de contradições que estamos organizando mais um seminário para debater sobre as novas formas de organização, pois fizemos mais uma greve, conquista adquirida pelos trabalhadores e estamos em longo processo de resignificá-la enquanto luta histórica das trabalhadoras e trabalhadores em educação por condições dignas de trabalho. 

        Dessa forma, o Comando de Lutas de Vespasiano/ São José da Lapa, através da subsede Vespasiano/ São José da Lapa, vem convidar a todas e todos para participar do II Seminário Educação e Luta de classes: novas estratégias de lutas dos trabalhadores em educação e pela construção da greve de ocupação.

        Esperamos todas e todos nessa atividade de formação de suma importância para quem deseja pensar novas estratégias para os trabalhadores e para a educação. 

Junte-se a nós nessa luta, faça sua inscrição!!!

Abraços de luta e resistência.

Subsede Vespasiano/ São José da Lapa

Texto/Fonte:

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

23 DE JULHO: 25 ANOS DA CHACINA DA CANDELÁRIA - RJ

Foto: Jonas Cunha
 25 ANOS DA CHACINA DA CANDELÁRIA
        No dia 23 de julho de 2018 a Chacina da Candelária completou 25 anos. No dia 23 de julho de 1993, em frente à Catedral da Candelária, no Rio de Janeiro, foram executados sumariamente por policiais militares encapuzados os meninos Paulo Roberto de Oliveira (11 anos), Anderson de Oliveira Pereira (13 anos), Marcelo Cândido de Jesus (14 anos), Valdevino Miguel de Almeida (14 anos), Gambazinho (17 anos), Leandro Santos da Conceição (17 anos), Paulo José da Silva (18 anos) e Marcos Antônio Alves da Silva (19 anos). Todos eram negros, todos eram crianças e adolescentes, todos em situação de rua – estavam dormindo aos serem chacinados. Coincidência histórica significativa: no mesmo dia 23 de julho de 1993, 12 Ianomâmi – idosas/os, mulheres e crianças - foram chacinadas/os na Comunidade Haximu/Roraima. Trata-se de genocídio, crime contra a humanidade, portanto.
Imagem: "Manifestação de Protesto contra a Chacina da Candelária", em Belo Horizonte, no dia 30/07/1993. 
Foto: Cecília Pederzoli. Arquivo: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania.

        Na década de 1990, os massacres e chacinas periódicos – que constituem processo histórico de longa duração no Brasil - atingiram sistematicidade assustadora. Vamos citar os casos mais notórios, além da Candelária e dos Ianomâmi: Acari, Rio de Janeiro, 26 de julho de 1990 (11 jovens mortos, 7 com menos de 18 anos); Carandiru, São Paulo, 2 de outubro de 1992 (111 presidiários mortos); Vigário Geral, Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1993 (21 mortas/os); Corumbiara, Rondônia, 9 de agosto de 1995 (10 camponesas/es pobres mortas/os, pelo menos 20 desaparecidas/os); Eldorado dos Carajás, Pará, 19 de abril de 1996 (19 sem terra mortas/os); Taquaril, Belo Horizonte, 15 de março de 1996 (3 jovens sequestrados e mortos sob tortura). Todas estas chacinas foram cometidas direta e/ou indiretamente pelo Estado - policiais civis e militares em conluio com empresários, latifundiários e gerenciadores de garimpo ilegal.
        As vítimas/alvos de todas estas chacinas são negras/os, indígenas, sem terra, camponesas/es pobres, trabalhadoras/es do campo e da cidade, sem teto, moradoras/es de ocupações, morros, favelas e periferias. Estava a pleno vapor a guerra generalizada contra os pobres e o genocídio institucionalizado contra o Povo Negro e os Povos Indígenas – prática sistemática do Estado democrático de direito, então recém-instituído pela Constituição de 1988. Ao longo das duas décadas e meia que nos separam da chacina da Candelária a escalada do processo de militarização e fascistização do Estado e da sociedade tem levado ao paroxismo o terrorismo de Estado com o incremento do aparato repressivo policial-militar/jurídico/legislativo. Massacres e chacinas – no atacado e no varejo – continuam a ser praticados sistematicamente como política de Estado. A polícia que mais mata no mundo mata pobre todo dia. O Brasil continua no pódio como um dos grandes campeões mundiais em violência policial, concentração de renda e desigualdade social.
        Para combater esta cultura da morte e do extermínio precisamos aprofundar a luta pelo desmantelamento do aparato repressivo e pelo direito à vida na perspectiva da independência e da auto-organização. É assim que entendemos a luta pelos direitos humanos.
Paulo Roberto, Anderson, Marcelo, Valdevino, Gambazinho, Leandro, Paulo José e Marcos Antônio: presentes na luta!
Pelo fim das chacinas e massacres praticados pelo Estado!
Pelo fim do genocídio do Povo Negro e dos Povos Indígenas!
Abaixo o terrorismo de Estado! Pelo fim de todo aparato repressivo!
Imagem: "Manifestação de Protesto contra a Chacina da Candelária", em Belo Horizonte, no dia 30/07/1993. 
Foto: Cecília Pederzoli. Arquivo: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania.

Belo Horizonte, 2 de agosto de 2018
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania

sábado, 21 de julho de 2018

NOTA DE REPÚDIO À CONDENAÇÃO DOS 23 ATIVISTAS DAS JORNADAS DE LUTA DE 2013/2014


NOTA DE REPÚDIO À CONDENAÇÃO DOS 23 ATIVISTAS
DAS JORNADAS DE LUTA DE 2013/2014

        O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania vem a público manifestar o mais veemente repúdio à condenação dos 23 ativistas das Jornadas de Junho de 2013 e das lutas anticopa de 2014. Tal condenação está inserida na escalada da violência policial/militar/jurídico-legislativa que tem como um dos principais dispositivos a lei antiterrorismo (Lei 13 620, de 16 de março de 2016), fabricada com o objetivo precípuo de combater as lutas das/os trabalhadoras/os e dos movimentos sociais. A criminalização destas lutas e a tentativa de aniquilá-las estão na base do terrorismo de Estado em vigor.
        No dia 17 de julho, o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira (27ª Vara Criminal), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, condenou os 23 a sete anos de prisão em regime fechado. Este Flávio Itabaiana, cuja família tem ligação com a ditadura militar (1964-1985), exerce há anos perseguição implacável à luta combativa dos manifestantes: foi ele que emitiu dezenas de mandados de prisão profilática na véspera da abertura da Copa do Mundo no Rio, em 2014. Além da ausência de provas e da interdição à ampla defesa, este processo é eivado de arbitrariedades: ilegalidade e abusos nas prisões, nas invasões de domicílio, nas buscas e apreensões em residências; infiltrações, monitoramento e grampos (inclusive contra os advogados das vítimas); espancamentos e tratamentos degradantes contra os indiciados. Desnecessário acrescentar que a mídia corporativista burguesa - sobretudo a Rede Globo - mais uma vez tem atuado como caixa de ressonância de toda esta aberração.
        Os 23 ativistas – estudantes, professoras/os, trabalhadoras/os - foram condenados pelo fato de exercerem direitos humanos fundamentais: liberdade de manifestação e liberdade de expressão. Lutaram por melhores condições de vida e trabalho; por educação e saúde públicas de qualidade; contra o aumento das passagens de ônibus e pelo passe livre; contra a farra da FIFA; contra a expulsão das/os moradoras/es de suas casas por conta das obras da Copa; contra o despejo da Aldeia Maracanã; contra o governo espúrio Sérgio Cabral (MDB); pela liberdade de Rafael Braga (preso por porte de material de limpeza) e de todas/os presas/as políticas/os; contra as invasões policiais e militares nos morros e favelas; contra as UPPs. Uma das lutas principais foi a denúncia da execução sob tortura do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza pela UPP da Rocinha - Amarildo continua desaparecido.
        Para o Estado, bem na lógica da Doutrina de Segurança Nacional, os 23 ativistas condenados são seus inimigos internos. É um Estado que pratica o encarceramento em massa, a guerra generalizada contra os pobres e o genocídio contra o Povo Negro e Povos Indígenas. Um Estado que tem levado a exploração e a opressão às máximas consequências, no qual a tortura, o extermínio e o desaparecimento forçado permanecem como sólidas instituições. Este Estado tem a polícia que mais mata, entre todas do planeta.
        Os 23, assim como milhões de pessoas que participaram das belas Jornadas de Junho (2013) e das manifestações anticopa (2014), lutavam e lutam justamente contra este processo de fascistização descrito acima. Saudamos fortemente esta luta e manifestamos apoio e solidariedade incondicionais às/aos companheiras/os. Como dizem os 23:
“Não é só pelos 23: é por todos que lutam!”
- PELA EXTINÇÃO DOS PROCESSOS CONTRA OS 23!

- ABAIXO O TERRORISMO DE ESTADO! PELO FIM DO APARATO REPRESSIVO!

- PELA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO E EXPRESSÃO! PELO FIM DAS PERSEGUIÇÕES!

- TODO APOIO E SOLIDARIEDADE AOS 23! VIVA A LUTA DAS JORNADAS DE JUNHO/2013 E ANTICOPA/2014!

Belo Horizonte, 21 de julho de 2018
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania

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Reproduzimos abaixo a nota assinada por 13 dos 23 ativistas:

Nota de repúdio e de chamamento à luta
Assinam esta nota 13 dos 23 ativistas condenados pelos protestos no Rio -

         Ontem, 17/07, o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau finalmente entregou o serviço para o qual foi escalado por Sérgio Cabral há quatro anos atrás: condenou todos os 23 ativistas envolvidos nos protestos contra a farra da FIFA a penas que vão de 5 a 13 anos de prisão, em regime inicialmente fechado.

Quais crimes nós cometemos?

Ousamos denunciar os desmandos de Sérgio Cabral, Pezão & CIA, acobertados todo o tempo por parte do Poder Judiciário e do Ministério Público do Rio?

Ousamos denunciar a farra da Copa da FIFA, cujo único “legado” que restou para o povo foram os escombros das comunidades removidas e a quebradeira dos serviços públicos?

Ousamos participar, como estudantes e trabalhadores, ombro a ombro com milhões de pessoas nas maiores manifestações de massas da história recente do país?

Ousamos atuar ao lado de movimentos populares independentes, que não se curvam ou se vendem às “tenebrosas transações” da politicalha oficial que nos desgoverna, cujos maiores símbolos são Pezão e Temer?

Se disso nos acusam, temos que aceitar com orgulho o que dizem os nossos algozes. Porque foi isso mesmo que fizemos, ou seja, lutamos. Todos precisam compreender que é a toda nossa geração que buscam condenar e intimidar com esta sentença infame. Mas não conseguirão: carregamos a teimosia própria dos que insistem em ter fé na vida, fé na luta, fé no povo. A teimosia dos milhares que marcharam na Praça Saens Peña, no dia da final da Copa do Mundo, apenas algumas horas depois que dezenas de ativistas foram presos e enviados para Bangu. Nós temos lado, e este não é o lado da casa grande. Se disso nos acusam, muito obrigado, pois.

Com esta sentença, o Sr. Itabaiana entra para a história pela porta dos fundos. Será sempre lembrado como aquele que perseguiu de modo implacável a juventude de junho de 2013. Que fique registrado: o que se fez no Rio de Janeiro, quanto aos procedimentos persecutórios, prisões abusivas, invasões de residências, infiltração ilegal, grampos de advogados a até uma “delação premiada informal” (a do sabujo Felipe Braz, cujo depoimento é praticamente a única “prova” apresentada para nos condenar) não teve par em nenhum outro lugar do Brasil. Talvez os carrascos se orgulhem do seu serviço; a esse “orgulho” nós achamos mais coerente chamar: VERGONHA!

Sim, porque é vergonhoso que os manifestantes contra a farra da FIFA sejam condenados, quando hoje grande parte dos próprios organizadores da Copa estão presos! Quando o ex-governador que nos reprimiu com selvageria está preso! Quando o país é levado à beira da fome e da devastação social pelos mesmos vampiros que tremeram de ódio quando a juventude tomou as ruas! Quando a Rede Globo, que nos perseguiu, ainda não explicou as suas negociatas em torno dos megaeventos!

Alguma palavra sobre a “conduta reprovável” e “personalidade distorcida” dessas pessoas, senhor juiz?

Reafirmamos o que dissemos ao longo de todos estes anos: LUTAR NÃO É CRIME! Crime é o estado de calamidade oferecido ao povo na fila dos hospitais, crime é a falta de vaga nas creches, crime são os ônibus caros e superlotados, crime é o que se pratica diariamente nas favelas, ensanguentadas pelo genocídio do povo preto e pobre. Isto é crime! E estes crimes, tenham certeza, não ficarão impunes para sempre.

Em tempos de sérios ataques aos direitos trabalhistas e sociais, é fundamental desfraldar bem alto as bandeiras da liberdade de expressão e de manifestação, sem as quais nenhum outro direito pode ser defendido, muito menos conquistado. Isso é ainda mais importante quando o Rio se vê sob uma intervenção militar, e assistimos quase diariamente oficiais discursando abertamente sobre a possibilidade de um golpe militar no país. Conclamamos todos/as os/as lutadores/as, trabalhadores/as, estudantes, coletivos, ativistas, intelectuais e democratas a se manifestarem nessa campanha. Não é só pelos 23: é por todos os que lutam!

Lutar não é crime!

Fascistas, hoje e sempre: não passarão!

Viva as jornadas de junho de 2013!

Assinam esta nota:

Bruno de Sousa Vieira Machado

Elisa Quadros Pinto Sanzi

Emerson Raphael Oliveira da Fonseca


Felipe Frieb de Carvalho

Filipe Proença de Carvalho Moraes

Igor Mendes da Silva

Joseane Maria Araújo de Freitas

Leonardo Fortini Baroni

Luiz Carlos Rendeiro Júnior

Pedro Guilherme Mascarenhas Freire

Rafael Rêgo Barros Caruso

Rebeca Martins de Souza

Shirlene Feitoza da Fonseca

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ABAIXO-ASSINADO DE APOIO E SOLIDARIEDADE A PEDRO 

GUILHERME MASCARENHAS FREIRE, EX-ALUNO DO PROGRAMA 

DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (CIÊNCIA DA LITERATURA), 

DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, E AOS 

OUTROS 22 CONDENADOS PELO JUIZ FLÁVIO ITABAIANA:


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Reproduzimos abaixo a nota de Pedro Guilherme Mascarenhas Freire:


Condenados a 7 anos de prisão para calar as ruas

Sou um dos 23 e o juiz Flávio Itabaiana acaba de nos condenar a 7 anos de prisão. Condenou 23 militantes por participarem das grandes manifestações de 2013 e 2014 contra o governo corrupto de Sérgio Cabral e sua ligação criminosa com os empresários de ônibus, contra a expulsão forçada de milhares de pessoas de suas casas para a realização "das obras da copa", contra o despejo da Aldeia Maracanã e o genocídio nas favelas gritando - "onde está o Amarildo?" -, em defesa da educação pública, da saúde pública, da vida. Por estas pautas e lutas fomos condenados pelos crimes de "associação criminosa" (Art. 288) e "corrupção de menores" (Art. 69). 

Confesso que não iria me manifestar agora, não por achar desnecessário, mas por faltar dias para o nascimento de nossa filha, Alice, e gostaríamos de nos concentrar na sua vinda. Minha companheira fará amanhã 39 semanas, 9 meses e 3 semanas de gestação. Parece que tudo nos tira o foco dela e de sua chegada, sempre. As crianças também estão no recesso, assim como eu, e parar para escrever assim é quase fantasia. Uma bebê no braço e o outro escrevendo, os olhos lendo também as várias mensagens carinhosas de apoio que estamos recebendo. 

Mas, verdade, é imprescindível. Precisamos expor toda essa mentira que é este processo com provas inventadas, sem qualquer materialidade, que chegou a investigar o anarquista russo Mikhail Bakunin, morto no século XIX, como um dos participantes das manifestações de Junho de 2013. A base desse processo são argumentos e mentiras grotescas! Ontem e hoje, a emissora Globo repetiu o podre delírio de que "planejávamos explodir o Maracanã na final da Copa". Explodir com quais armas? Com os livros e blusas, máscaras de gás, encontradas nas casas dos presos e perseguidos no dia 12 de Julho de 2014? São mentiras tão fracas que só são levadas a sério pela justiça pois ela é essa injustiça de Estado que conhecemos. 

Flávio Itabaiana vem de uma família conhecida por sua atuação no judiciário durante a ditadura militar. O que ele faz hoje é reproduzir modelos de condenação, invenção de inimigos públicos da sociedade, de fatos, todos com a única finalidade de calar pessoas e movimentos. 

Não somos criminosos. Trabalho na rede pública e particular de ensino, 40h por semana. Sou pai e padrasto. Militante de movimentos sociais e vou assumir em Agosto a direção do SEPE pela regional I. Não ando e não andamos com bombas para atirar em "crianças indefesas". Não nos encaixamos na imagem falsa do terrorista que "os donos do poder" sempre criaram. 

Somos da luta, estamos na luta e certamente venceremos.

Fonte:


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Reproduzimos abaixo a nota do advogado Mariano D Icarahy:

O ESTADO POLICIAL E FASCISTA CONDENA OS JOVENS INJUSTAMENTE PRESOS PRESOS NA COPA DE 2014
Numa sentença genérica como a acusação, eivada de ilegalidades, que atinge frontalmente a proporcionalidade e a razoabilidade, o direito de ampla defesa e do contraditório, sujeita a embargos e outros recursos, o Juízo da 27ª Vara Criminal da Capital-RJ condenou a juventude combatente de 2013/14 a penas que variam de 5 a 13 anos de reclusão, em regime fechado, mas com direito a apelarem em liberdade.
A sentença não individualiza a pena aplicada por cada conduta criminalizada, de modo a ser aferida a dosimetria da pena, ou seja, ao invés de dizer tanto por associação criminosa e tanto por corrupção de menores, diz que, pelos dois crimes, o total, por exemplo, é de 7 anos.
Além do mais, quanto ao crime de corrupção de menores, entendemos que a sentença é nula, pois, não houve instrução, ou seja, não houve a produção de prova de acusação nem de defesa, não houve, por exemplo, a oitiva de testemunhas de acusação e de defesa. Além disso, essa acusação, não constava da denúncia inicial. Foi acrescida pela promotoria em alegações finais, fora do prazo que o MP tinha para fazê-lo, e, sem o direito de ampla defesa e do contraditório. O rito processual para esse acréscimo da acusação foi totalmente descumprido.
Esse requinte de maldade do Estado se deveu a um manifesto interesse de agravar a pena dos jovens para atingir um patamar maior que quatro, que seis, e que oito anos, para tentar "justificar" as suas prisões em caso de condenação em segunda instância, caso o STF não mude o seu entendimento até lá, o que também consideramos improvável.
Tudo isso e muito mais pode ser dito, criticado e rebatido com relação a essa sentença, inclusive o fato do Juiz condenar 5 acusados para os quais o MP pediu a absolvição. O juiz não é detentor da ação penal. É o Ministério Público que detém a competência para propor a ação penal. E ele pediu a absolvição. Se não há pedido de condenação, o juiz julgou além do pedido, mas, o que interessa de verdade, é que essa condenação é política e extemporânea.
O Juiz demorou quase três anos para dar a sentença, sem nenhuma justifica para a demora, o que contraria o devido processo legal, por violar o tempo razoável para o processo. Isso também será profundamente questionado pela defesa.
Aqueles que foram alvos das manifestações e das denúncias dos protestos estão todos envolvidos nas falcatruas que já levaram muitos deles para a mesma prisão que comandaram contra os jovens atingidos por esses e outros processos.
Essa juventude, que, enfrentando a violência policial do Estado, foi para as ruas para mudar o País, ao invés de ser criminalizada, deveria ser exaltada por sua bravura e clarividência política. Eles apontaram para os alvos corretos. O País não é nem voltará a ser o mesmo de antes de 2013/14. Nem aquela juventude, nem nós, mais velhos, naquela altura tínhamos a verdadeira dimensão do volume e da grandeza dos interesses que estávamos contrariando naqueles tempos de intensa luta política. Só para dar um exemplo, com relação ao Cabral, ele era um dos alvos principais, entretanto, ninguém tinha sequer uma noção do gigantismo das cifras e dos interesses envolvidos pela corrupção generalizada que se espalhou pelos aparelhos de Estado, em todos os níveis da Federação.
Mesmo com todas as abordagens jurídicas que fizemos de pronto aqui e de muitas outras que se pode fazer, dos recursos cabíveis, o correto é deixar claro que essa luta, no seu âmago, não é jurídica, e não se resolve exclusivamente no Judiciário. Ela é uma questão eminentemente política que exige, inclusive, o devido enfrentamento político, com a mobilização de todos os envolvidos, direta ou indiretamente, o que quer dizer de toda militância combativa, independente e classista, e dos setores verdadeiramente democráticos.
Essa decisão tem que ser repudiada pelos movimentos sociais, que sofrem como um todo o processo de criminalização imposto pelo Estado contra a insurgência política, pelos juristas progressistas, pelos advogados populares, por todos aqueles que têm compromisso com a defesa dos direitos de livre expressão, de opinião, de manifestação, de rebelião popular, de revolução.
Só uma transformação radical do sistema vigente pode abrir o caminho do povo para sua libertação do jugo desse Velho Estado burguês-latifundiário, submisso aos interesses do imperialismo, de caráter policial e fascista.
LUTAR NÃO É CRIME!
PELA EXTINÇÃO DOS PROCESSOS POLÍTICOS, NO CAMPO E NAS CIDADES!
VIVA A JUVENTUDE COMBATENTE!
NADA DETERÁ A CHEGADA DA PRIMAVERA!
Fonte: